Arquivo mensal: setembro 2009

Acesso a poucos; vontade a todos. Ficamos com a “imagem”

  Já ouviram a expressão popular, “fulano come salame e arrota caviar”? Um tanto quanto esdrúxula, mas é o slogan do brasileiro! Somos, de forma nojenta, os elitistas! A começar pelo governo do país. A nossa política desde a república velha é aristocrática. Só tivemos presidentes da elite, presidentes intelectuais, com exceção ao atual, o senhor Luís Inácio – sem “excelentíssimo”, por favor, para esse aí não, esse aí é do povo, recusa formalidades (sic). Por um lado eu até sou a favor da intelectualidade a comando do país, mas essa é outra discussão.

  Muito me encantam países, como por exemplo, parte da África, que tem sua maior representação cultural oriunda das classes desfavorecidas da sociedade – vamos poupar os eufemismos: Classe pobre! Oficialmente somos um país laico, mas é o catolicismo que predomina desde a nobreza católica que se implantou no país. Vão dizer que uma coisa não leva a outra e que isso foi um critério de imposição colonial e não de escolha. Claro, ninguém discorda, mas não deixa de ser herança “nobre”.

  O brasileiro tinha que ter vergonha de si, já que nega as origens e os próprios gostos para assumir uma imagem que não é sua. Eu me pergunto se é a busca por uma aceitação social – que não vai existir – ou se é apenas a tendência de gostar do que a elite gosta, de escutar o que ela escuta, de se passar por essa falsa sensação de superioridade, para mascarar a própria identidade. Não falo só dos pobres, eu falo da sociedade por um todo. Não costumo escutar funk, aquele “proibidão” produzido nas favelas, mas há quem disse que era música, que trazia alegria e tudo mais. Por que não?

  A rede Globo é a prova do que eu digo, ou melhor, o senhor roteirista e diretor, Manoel Carlos. Suas novelas estão sempre entre as recordistas de ibope. Nelas, todo bairro é o Leblon, todo pobre tem televisão 42 polegadas e mesa de jantar, toda música é MPB, metade dos personagens estão em Paris enquanto a outra parte discute relação na praia de Copacabana. O brasileiro adora isso, nem questiona, assiste aquilo como se fosse uma realidade e pior, toma-a para si.

  Temos a ingenuidade – para não dizer ignorância; vamos tentar não ofender – em acreditar que adquirir conhecimento é coisa pra quem tem condições financeiras. Isso, a sociedade não copia da visão estereotipada que criou do conceito de “elite”; os privilegiados. Eu sei de uma, nos requintes da segunda metade do século XVIII (lembrem-se da Inconfidência Mineira) e século XIX, que estudava e apreciava a leitura. Questionava, discutia a situação do país. Aquela que era a “sociedade pensante” que proliferava ideias e era digno de tornar-se tendência, mas não foi bem assim.  

   Temos a incrível “capacidade” de não entender nada, ou melhor, fazemos questão de não entender e parece que temos orgulho disso. O forte do brasileiro é distorcer as coisas e colocar interpretações à parte no que é fato consumado. Se, para ser “elitizado”, basta assistir filme em preto e branco, escutar bossa nova e falar mal do “créu”, vou à busca do proletariado! Contudo, se o pensamento é massificado e a ideia ainda é essa, vamos elitizar o país por um todo! Mas para isso vamos fazer uma reforma nessa tal elite acomodada dos antigos “caras-pintadas” que hoje assumiram o trono, sem nenhum remorso, dos “caras-de-pau”.

   Dessa vez eu não vou citar filosofia alemã, nem a literatura consagrada do Brasil, vou de Joãsinho Trinta, um grande carnavalesco! Carnaval não é a alegria da massa?

Joãsinho é conhecido por enredos campeões e dono de uma frase clássica que, por sinal, cabe bem ao contexto:

 “O Povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual”.

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“Profetizando a estupidez”: Metáfora II

Francamente, sem desperdiçar lágrimas, não merecem nem mesmo “auto-piedade”. “Merecer” é uma palavra sem conceito, todo mérito é relativo e todo fim tem direito a desvio. O banquete foi posto à mesa, há pouco mais de 500 anos: viva a carnificina! Macabros somos nós, que nos digerimos dia a dia. Nós, os terríveis. Façamos medo a eles, os mortos. Pois o nosso medo é só do presente já que a expectativa não cumpriu a visita e a utopia da vez é a do “futuro próximo”. Palavras não terão força, sorrisos serão dentes expostos, as ações perderão todo significado e os sentidos, por si só, constantes. Quando esse dia chegar, teremos cérebro humano como prato principal, já que o coração tem alguma utilidade.

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Literalmente: Para engolir!

  Um pouco de sal, talvez açúcar. A massa já está ficando boa… Um pouco de fermento. Falta algo. O que será? …Mas é claro! Falta uma pitadinha de hipocrisia. Sem ela a receita não funciona, a comida não desce e como Nelson Rodrigues dizia, ela “é a graxa da máquina que move o mundo”.  

  Vale lembrar-se do divertido trabalho de Fernanda Young como roteirista de “O Super Sincero” em 2005, para o Fantástico, mostrando a vida de um homem que nunca guarda o que pensa. Um homem que não existe, ao menos quando falamos de convívio social – ênfase na palavra “convívio”. (In)Felizmente, nesses casos, o que fala mais alto é a “política do bom senso”, educação, ética… Esses tais valores, quais nos foram impostos que tem como alicerce uma falsidade falsamente benigna, se é que compreendem a redundância.

  Dizem que não é falta de caráter e sim uma necessidade. Não precisamos de muitos exemplos para facilitar a compreensão do argumento, basta lembrar-se do “bom dia” sorridente que você respondeu para o porteiro qual lhe indagou com tal pergunta, quando de bom, o dia não tinha nada!  Para Miguel de Cervantes “menos mal o que se finge bom do que o público pecador”. Que seja.  

  Quem bem conceitua a tese em questão é a jornalista Martha Medeiros no livro Divã: “Se a sociedade não fosse viciada em hipocrisia, a infidelidade seria constitucionalizada, você não acha?”. Perfeitamente! A questão é saber ponderar as “coisas”. Tão como na receita de bolo, que tenha essa hipocrisia, mas que venha na medida “certa”.

 

…As relações sociais são questionáveis e o fato de nos subordinarmos a  essas “regras” me irrita, mas essa parte eu deixo para Freud.

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Nem mesmo “ordem”, veja lá o resto

  Um dia ouvi dizer que estávamos no progresso e que a crise era apenas um momento inoportuno, uma pausa do caminho árduo. E eu, contido pela imaturidade, fui obrigado a acreditar. Décadas depois, estamos nós, diante do fracasso – vão dizer que sou tolo, que meu conhecimento é limitado e que não assisto ao jornal, não vejo as manchetes que exaltam nossa “prematura” economia (em uma análise medíocre da expressão: Não porque nasceu antes da hora, mas porque ainda é fraca. Na ordem natural das coisas devia estar dando passos bem maiores). Eu tenho que engolir o presidente dizer que somos auto-suficientes em petróleo – aquele que é caro para os habitantes da “fonte” e barato para os que compram -, não vou entrar nesse discurso, pois o contexto é extenso e a ocasião não permite.

 Falta muito, muito mais, para chamar essa situação de “progresso”.  Eu não suporto mais o argumento, “ah, pelo menos o PIB cresceu!”, “Estamos bem nas exportações!”, “Nossa economia superou a recessão!”… O caminho não é bem por aí – por favor, não sejamos cretinos, ninguém aqui quer menosprezar o excelente trabalho do Meirelles e, em parte, do Mantega, volto a dizer que o foco é mais amplo e a crítica vai além. O interessante seria termos a consciência que nunca saímos da crise. Junte um dinheiro, dê uma volta pelo país e tire suas próprias conclusões.

  Isso nem mesmo é um texto digno a ser postado, diante de outros tão bem estruturados que se encontraram por aqui. Mas a decisão não cabe a mim, as palavras ganham forma diante da indignação, oriunda do quanto somos imaturos. Contentamos-nos com pouco e nos instruímos sem informação. É possível? Claro que sim! Quem dera fosse autodidatismo, mas é política do “deixa rolar”.

 

Célebre, Mario Quintana:

 

Minha terra não tem palmeiras…

E em vez de um mero sabiá,

Cantam aves invisíveis

Nas palmeiras que não há”.

Apagado, mas nunca em branco.

  A única certeza que temos é de um dia morrer, já que a de nascer aconteceu sem o nosso consentimento. Contudo, as coisas tendem ir além, até lá passaremos pelo que chamo de “processo” e por ele enfrentaremos outros “requisitos vitais”. Até gostaria, mas dificilmente eu teria a capacidade de citar todos, fico então com um dos mais significantes: A saudade.

  De um modo geral, podemos encarar a vida com uma saudade constante. Durante o seu “crescimento”, sua mãe vai sentir falta de você quando era uma pequena criança, tão como você sentirá saudades desse tempo, em que não tinha responsabilidades. Esse sentimento, nesse instante, é compartilhado. O difícil é encarar sem medo, virar para sua colega na quarta-série (em véspera de formatura de final de ano) e dizer, “não sorria tanto por sermos amigos, daqui alguns anos, todos esses seus colegas se renovarão e dificilmente você recordará meu rosto” – claro que ninguém tem essa maturidade aos dez anos de idade. Pior ainda é no terceiro ano do ensino médio, quando nos julgamos maduros e achamos que já vivemos tempo suficiente para nos tornarmos amigos para sempre; “vamos trabalhar juntos!”, “vamos abrir nossa empresa”, “na faculdade seremos da mesma sala”, às vezes essas coincidências acontecem, mas na maioria dos casos se resume em “eu conheço você? Por acaso nós estudamos juntos? – Ah, eu acho que não, deve estar me confundindo com alguém”.

   Nem mesmo o nosso nome é de nossa inteira propriedade – já que nem tivemos a oportunidade de escolhê-lo – veja lá o poder de optar entre “sentir ou não”. Apesar de que saudade é mais uma consequência do que um sentimento. Consequência de um cérebro que só guarda informações que ele julga necessário; De uma vida que exige mais do que oferece; Do tempo que nos lança para a “evolução” ou nos condena ao “obsoleto”. Assim nós sentiremos falta do cheiro, da cor, da música que tocava. Do homem que falava. Das palavras que nos dominavam, das imagens que nos marcavam e estaremos soberbos de nostalgia…  Sentiremos falta das pessoas que nos amaram e das que nem nos conheciam.

  Um dia isso vai alimentar um amor, no outro vai te fazer chorar, quando você notar que não tem mais ao seu lado, alguém que você precisava, nesse dia não sentirá saudade apenas da companhia, mas também do quanto era bom sorrir.  

  Eu sinto saudade do que eu não vivi. Como por exemplo, do festival de Woodstock, quando, Jimi Hendrix fez uma multidão chorar com a magia da sua guitarra, tocando Hey Joe. Eu, nem vivo era, mas é uma saudade que guardo comigo e levo para o túmulo consciente de que ela me faz bem. Meus filhos vão ver fotografias, discos e textos, eles perguntarão “o que é isso?… Quem são esses?… Do que se trata?”, não precisarei contornar a situação, nem contar bonitas histórias, será mais sensato resumir em: “Isso aí é saudade”.

 

 

Já dizia Chico Buarque:

 Oh, pedaço de mim

Oh, metade adorada de mim

Leva os meus olhos

Que a saudade é o pior castigo

E eu não quero levar comigo

A mortalha do amor

Adeus.

 http://lpf-inrasuras.blogspot.com/2009/09/titulo.html

Uma reflexão; dá-lhe “república”.

E lá vão eles…

Homens de “pele” clara que, do alto, avistam o morro. Ajustam a gravata e distribuem sorrisos não retribuídos. Sorrisos de descaso, de homens do acaso, pais da incoerência moral. A sátira da incompetência.  São homens de alto poder aquisitivo, que fazem da miséria alheia um prato saboroso e sugestivo, onde é consumido cru, o coração e a dignidade do pobre. Homens de Estado único, de lar “consolidado” e passagens aéreas incertas… De bolso cheio e mente vazia. De arrogância e demagoga “simpatia”. De má fé braço dada à eloquência da maldade, aquela que subordina aqueles que caminham a sós. Aos sonhos da desigualdade nas mãos de um “infrator”.

  Homens de tamanha incoerência, de descaso com a regência, que planejam nos afogar no seu mar particular, vulgo “mar de lamas”. Nós ficamos assustados, demoramos conseguir entender que estava tudo planejado e que eles se passavam por nossos representantes… O pior, é que a culpa é nossa, da nossa impotência e da nossa tolerância.

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