Arquivo mensal: outubro 2008

Um turista em Merda.

Talvez não seja tão íntegro e sensato como eu pensava. Talvez não seja lá o caminho… A Luz que eu pensei que vi, talvez não levasse de fato à estrada. Os pensamentos aglomerados que um dia eu jurei ser o que estava acima de tudo e de todos me traiu… Deus, que um dia eu neguei, hoje já nem sei, ou se esconde ou não me aprecia. Todos estão estonteantes, soberbos da “des-informação”, que por “osmose digital” infecta os supostos inocentes. Inocente ou não, o errado sou eu. Quem se omite é excêntrico, quem adere é comum, quem não decide nada não é ninguém. Particularidades levam à exclusão, autenticidade é passado… Será se algum dia existiu o conceito de “certo”? Será se a dúvida alheia que me preenche é conseqüência da ausência de cérebro do restante? – não sendo, meu pensamento, um vestígio de prepotência –  E a tendência oscilante é que o mundo continue nessa lastimável “ordem e pregresso”? …Chego a ter medo.

Pra falar a verdade, não mais importo. Vou refugiando no antissocial (antigo anti-social), usando a máscara do normal, tentando sobreviver nesse submundo. Não me orgulho, mas também não me envergonho.

Que para os seus filhos e/ou netos isso tenha mudado… Eu duvido.

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Quando Amado amou.

Mais um dia turbulento. Amado estava exausto, não se conformava com a prisão que a rotina se tornara. Noite fria boa para esfriar a cabeça. Resolveu andar pela rua. Encostou-se a uma árvore no bosque, olhou ao céu e percebeu quanto era só… Sempre esteve em locais bem freqüentados com os supostos colegas. Sempre existiu alguém para venerá-lo, os oportunistas – mesmo não tendo muito a oferecer… Ganhara elogios às vezes. Já saiu com algumas garotas, poucas, não era habituado à “caça” como a maioria dos homens. No seu íntimo, no seu social, Amado era só, era triste…
Naquele instante, Amado viu-se contagiado pela música. O som do violão, a sutileza da melodia: “De onde vem?”. Correu pelas ruas, causando espanto em quem passava. Amado estava assustado, – ao menos aparentemente – correu até perder o fôlego, pois de algum lugar aquilo saia…
Duas, três, quatro quadras, parecia mais alto, de repente ficara estridente, a ponto de doer à alma. Ele avistara ali, a alguns metros, uma garota linda, sentada em um banco, em frente a estação… Nunca estivera tão confuso. Aproximou-se, sentou. Ambos olharam nos olhos, antemão a garota assustou-se, se conteve, mas ninguém pudera resistir ao sorriso que Amado abrira. Por sorte, foi recíproco.
A música parou, e com ela as pessoas, o mundo, o ar, o tempo… Tudo congelou naquela cena. Amado não fazia noção de onde vinha tanta alegria, tanto amor… Ninguém tocava violão por ali, não havia nenhum cantor, nenhuma música, o som fora “libertado” pelos seus instintos, os quais ele nem mais acreditava; amor talvez.
A única distância entre os dois rompeu-se quando ambos os lábios que se tocaram suavemente. Os dois corpos ficaram, por alguns instantes, sendo um só.
Amado viu a sua salvação, mentalmente fizera milhares de planos, de hoje em diante deixaria de existir; passaria a viver, enfim ser feliz. Não se conteve, abraçou-a, sentira o coração tão pulsante quanto o seu.
A garota parou de sorrir, levantou, lançou seus cabelos loiros ao vento, olhara com seus belos olhos verdes mais uma vez a Amado… Caminhou até a ponta da estação e entrara no trem.
A única sensação que restara a Amado era o vazio, chorou pela primeira vez. Virara a noite por ali, passava tardes, dias, o maior tempo possível esperando a sua musa voltar… Semanas, meses, anos, até que um dia entrou em um dos trens, o único que passara por ali. Desceu no seu destino, uma cidadezinha aparentemente calma. Amado não ouvia a música, só a angústia… Andara desconsolado pelas ruas, até cruzar uma esquina onde do outro lado a loira estava. Pela primeira vez teve medo, a música não tocara, o peito apertava cada vez mais, ela veio atravessando a rua, olhando-o com serenidade. Não percebeu o carro que vinha a sua direção. Fatalidade irracional, um desatino inconsequente do fio que define a  vida e o reflexo do quão fácil é perdê-la… Amado nada pode fazer para evitar aquela catástrofe. O impacto foi forte o suficiente para matá-la, mas não para impedir que dois amantes olhassem pela última vez nos olhos. Foi o fim, um só corpo se foi, mas duas almas ali morreram.
Hoje, Amado abriu mão de tudo que o cerca, passa noites a tocar a música que alimenta corações isolados. Impedindo que o silêncio volte a pairar. Preparando a alma daqueles que virão a sofrer, esperando descontente pela sua garota que nunca mais vai voltar.

“Tevê suja e mentes impotentes.”

Limitado. Assim é o Brasil…

Há uma semana, – quinta-feira passada – limitou-se na derrota da seleção brasileira (dia anterior), “o Dunga é um imbecil”, “o Robinho não jogou nada”… Uma sucessão de culpas alheias, milhões de técnicos ditando a fórmula mágica da vitória e apontando um ou outro à culpa, para substituir o sentimento infeliz na conformidade de que nada é eterno, nem o talento ou a invencibilidade. 

Há dois ou três dias só escuto sobre Eloá, a menina morta no seqüestro. Sentimento alheio de dor, que o brasileiro insiste em dizer que é piedade. Talvez seja. Se a polícia teve culpa ou não, se os tiros foram antes, se foram depois… Faz diferença? Se os policiais não tivessem entrado a ao invés disso designado aos atiradores de elite que eliminassem o rapaz, a ação seria polêmica e investigada da mesma forma! Impossível ninguém ser prejudicado, impossível o brasileiro deixar de bancar o investigador, impossível as pessoas que fizeram de tudo para que isso acabasse bem serem isentas de culpa pelos “juízes” que estão em frente à televisão e até mesmo pelos que são aptos a essa função. Até parece que é o primeiro ou o último a terminar em tragédia. A morte de um inocente é triste, mas não faz sentido santificar Eloá sendo que tantas outras ficaram no anonimato.

Nos domingos mórbidos, temos de aturar as reportagens “científicas” do Fantástico. Desta vez eles explicavam que só nos interessamos por alguém graças ao olfato, pois nosso suor exala feromônios, odores que podem ser atraentes ao sexo oposto transmitindo “informações”. Com essas informações genéticas, somos atraídos por combinações de genes que favoreceriam  ao aumento de chances de termos um filho saudável. Isso é paixão, amor é mais complexo, é descarga de energia. Reforça uma idéia de que somos apenas carne e osso e que não existe essência nenhuma. Eles deviam saber que esperar o dia (segunda-feira) e a rotina que sucedem, já é suficiente para alimentar a nossa crise de existência.

Limitado! Assim é o brasileiro.

Retrato (?)

Nada de Sol e praia, prefiro o frio e o chocolate quente. Posso não querer festa e já ter alugado o filme… Nas noites mais animadas eu estou para o dia, nos dias contagiantes eu posso preferir a madrugada. Vou sorrir quando esperavam que eu ia chorar, vou escolher o preto em vez do azul, o rosa quando tinha que ser o branco… Vou exagerar se exigirem limites, vou limitar o que querem em abundância, vou dizer sim enquanto todos esperam um “não”. Não gosto dos cães, nem dos gatos. Vou para o rock no dia do samba e morrer de sambar na festa de rock. A minha irmã de 10 anos desenha melhor do que Tarsila, o hippie “arteiro”, de quadros em cerâmica na feira-da-lua, que é o cara! Eu vou de terno pra Sapucaí e nu para o Natal! Eu vou berrar no mais sublime silêncio e calar quando os oturos vierem à gritar. Estarei cantando Beatles se estiverem em guerra… Não quero ser o seu berço, sou o avesso, sou o que quero. Quando forçar a sustentabilidade de um diálogo estúpido, ficarei calado. Havaiana é sapato, álcool é pior que maconha… Deus é como o velhinho gordo que puxa um trenó guiado por renas. Para alguns sou auto-suficiente, para outros, deprimente. O que pensas, por sinal,  não faz diferença. Se faz lógica ou se não faz, se “faz-lhe” bem ou não lhe faz; Que importa? Vou parafraseando… Pois são as palavras que sustentam a alma e não as pessoas.

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Alienados.

Não mais olhamos nos olhos. Ou por medo de ver e entender a alma alheia, por medo da verdade ou por receio apenas… Não mais sorrimos para o desconhecido, qual será dessa vez o medo? De ser mal-recebido, de não ser retribuído, ou simplesmente por não querer bancar o Babaca? Ninguém gosta de ninguém, ninguém se apega por ninguém, por trás de tudo há um interesse. A desculpa é que o mundo está um caos, mas a forma como lidamos com isso faz dele ainda pior. Queremos assutar quem não precisa, queremos evitar quem nos quer bem e ainda temos fé, ainda acreditamos que uma força maior é o que, ou quem, realmente vai mudar toda essa bagunça. Será mesmo? Não assistimos aos telejornais nem lemos o jornal impresso, por receio de saber a barbárie que se passa no resto do mundo – claro que isso é relativo, pois a credibilidade dos meios de comunicação oscila – preferimos a omissão. Não fazemos visitas aos que realmente precisam para não presenciarmos a dor alheia e termos que passar a conviver com parte dela para nós. O egoísmo é o que nos rege. Não mais reclamamos, pois o sistema hipócrita que conduz nos convém: “Eu tenho, porque reinvindicar ?” É proibido jogar bola na rua, amanhecer na praça, andar a pé, ficar de vidro aberto no sinal… Mas ninguém nota – em tese. Estamos todos ocupados demais para viver, buscamos um “futuro” que nunca vai chegar. Como diz o poeta: “Viver é para poucos, a maioria só existe!” 

 

 

 

Onde Está Freud?

A abstinência de relacionamento, – ou sentimentos, que seja – nos deixa tão vulnerável às tolices psicológicas… Tudo é amor, qualquer atração, qualquer “apego”, já desloca o raciocínio e a lógica. Que bom que às vezes percebemos que estamos errados; e quando não? 
É bom ter o controle, aliás, o falso-controle, o real de fato inexiste. Acostumei a ter todas as minhas relações nas mãos, parece que é a única forma de me envolver com alguém, isso reflete até nas amizades. O amor é o inverso, é quando não se sabe o que vai acontecer, não sabe como vai ser, é regado a incertas e a grandezas que não podem ser calculadas ou medidas – sem levar em conta razão áurea, da matemática e/ou feroêmonios, da química. Ainda não aprendi a ser assim tão tolo, minto, até já passei por isso, mas por conseqüências diversas aprendi esquecer como “funciona”. Produzo “antígenos” nessas situações, e digo, nem é tão ruim. Passei a evitar os relacionamentos como se fosse algo a ser rejeitado pelo meu organismo. Enfim, não me apego. 
Nunca tive problemas, me adaptei, mas hoje fico louco e repito: A abstinência causa turbulências, onde prevalece o “parece mais não é”. 
Vou indo, feliz ou não, mas solteiro. Não pretendo ceder, a responsável pelas dúvidas e pelo transtorno não terá o prazer de desfrutar do meu bom e efêmero sentimento. Vou por mim a alimentar meu narcisismo. 

Beijos Quentes.

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