Literalmente: Para engolir!

  Um pouco de sal, talvez açúcar. A massa já está ficando boa… Um pouco de fermento. Falta algo. O que será? …Mas é claro! Falta uma pitadinha de hipocrisia. Sem ela a receita não funciona, a comida não desce e como Nelson Rodrigues dizia, ela “é a graxa da máquina que move o mundo”.  

  Vale lembrar-se do divertido trabalho de Fernanda Young como roteirista de “O Super Sincero” em 2005, para o Fantástico, mostrando a vida de um homem que nunca guarda o que pensa. Um homem que não existe, ao menos quando falamos de convívio social – ênfase na palavra “convívio”. (In)Felizmente, nesses casos, o que fala mais alto é a “política do bom senso”, educação, ética… Esses tais valores, quais nos foram impostos que tem como alicerce uma falsidade falsamente benigna, se é que compreendem a redundância.

  Dizem que não é falta de caráter e sim uma necessidade. Não precisamos de muitos exemplos para facilitar a compreensão do argumento, basta lembrar-se do “bom dia” sorridente que você respondeu para o porteiro qual lhe indagou com tal pergunta, quando de bom, o dia não tinha nada!  Para Miguel de Cervantes “menos mal o que se finge bom do que o público pecador”. Que seja.  

  Quem bem conceitua a tese em questão é a jornalista Martha Medeiros no livro Divã: “Se a sociedade não fosse viciada em hipocrisia, a infidelidade seria constitucionalizada, você não acha?”. Perfeitamente! A questão é saber ponderar as “coisas”. Tão como na receita de bolo, que tenha essa hipocrisia, mas que venha na medida “certa”.

 

…As relações sociais são questionáveis e o fato de nos subordinarmos a  essas “regras” me irrita, mas essa parte eu deixo para Freud.

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