Bosquejos de Vincent – Parte Final

Vide: Bosquejos de Vincent Parte III

Press Play, a música complementa a leitura.

“Que posso fazer por mim, um ser detentor de poucos dotes? Um homem desprovido de qualquer sorte, a face da morte estarrecida em dois rostos. Um lado da partida enterrada a sangue e ferro, a outra que vive, mas que pouco prospera, uma despedida mórbida que aguarda, uma alma ainda encarnada, que apodrece… Helena?”

Abro a porta e permaneço ali, parado, fitando o longe, aguardando os minutos, complacente com o convite do qual não me foste dado o direito de recusar. Submetido a um julgamento de um crime infiel contra alguém quem eu não dei o direito de declinar… Na diferença das nossas significâncias e na semelhança das nossas sentenças, eu lhe proclamo “perdoe-me!”.

Retomo para dentro, mas a porta se mantém aberta, deixando adentrar a friagem das 3h da madrugada… A espinha gela na presença do inóspito, posso escutar a tua voz, mas trazida por outro, por aquele que tem sede da minha alma, tem sina pelo meu mal interior, mas não serei objeto de uma tramoia. Sinto saudade, sinto seu chamado, mas ciente estou de que não fostes tu quem voltastes a me encontrar… Procuro o material prateado (que ainda tem marcas suas), com o qual me causo algumas dores externas, das quais já não me incomodo mais. Vou gotejando rubro, cada degrau que subo aumenta o peso em minhas pernas, visto um colar de fibras entrelaçadas, faço-lhe um arranjo firme… um paço em frente… “Helena, adeus”.

Não sinto mais o frio, o suor, a dor… Ainda há um sangue irrelevante que a pouco se empossa. O chão da sala é palco de um espetáculo vermelho, preto e cinza… a porta aberta, meu corpo balança e os pés não tocam o chão. Há um silêncio absoluto e o cão está ali, deitado ao lado, no carpete, pois viera conferir… O vento volta forte, felicita a minha chegada, parece cantar como nunca, bate a porta de entrada e as janelas balançam. Minha alma sangra e meus olhos se fecham.

“Perdão, Helena. Fiz com que partisse, e tu, fizeste que com me buscassem. Mas os nossos caminhos são díspares e o meu demônio agora dorme, ciente de que não nos sentiremos nunca mais”.

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2 pensamentos sobre “Bosquejos de Vincent – Parte Final

  1. Kelvin Mota disse:

    Ficou bom o texto, Luiz. Gostei ( não sem antes reler as outras partes para lembrar o sentido do texto).

  2. Luiz Phelipe disse:

    Oi Kelvin, não me recordava do conto ter ficado aberto para comentários, haha. Estava com a política de só abrir para os textos da tag “em pauta”. Mas ainda bem que ficou aberto, bom pra saber sua opinião. Obrigado, fico feliz que tenha gostado. Pretendo fazer outra série do gênero, depois te mostro. Abraço!

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