Arquivo mensal: agosto 2009

A Doutrina das Teorias

O Correio Brasilense trouxe à tona, uma afirmação do Senador Cristovam Buarque (PDT – DF), cogitando a possibilidade da realização de um plebiscito, tendo como questão o fechamento do congresso – particularmente, faria questão de participar, votando no “sim”, mas sabemos que isso é uma grande utopia.  O Senador já apresentou cerca de cinco projetos que se tornaram leis. É de fato, um político de credibilidade no quesito função executiva, sendo que defende, de um modo geral, bons argumentos voltados à iniciativa de “reformas” no que rege o poder público.

Essa iniciativa remete a situação paradoxal de uma sociedade sem poder político diante de uma democracia questionável.

O termo democracia se originou na Grécia com ideal que, aplicada corretamente, seria símbolo de uma doutrina “sensata”. Porém, foi praticado de forma limitada, onde mulheres, estrangeiros, escravos e crianças não participavam das decisões das cidades. Hoje, séculos depois, com o advento do desenvolvimento das ferramentas de administração, tão como do “amadurecimento político”, ainda somos postos à prova, quando analisada a integridade do nosso sistema democrático. Digno de vergonha.

A escritora Rachel Queiroz em uma de suas crônicas, que traz como título o sistema em questão, diz que existe um conceito errôneo, oriundo da demagogia, definindo que só é povo quem “emana das classes mais desfavorecidas da população” – em se tratando da tese “governo do povo pelo povo”. Contudo, o poder aristocrático foi, por muito tempo e de forma nítida, a representação política do país. Atualmente esse “governo dos melhores” ainda existe em abundância, por parte dos banqueiros, empresários e outros, que desfrutam de privilégios e mecanismos de manipulação política, criando um elo, por meio de propinas, subornos, chantagens… Entre os “homens do governo” e os “neo-aristocráticos”, remetendo a maior das inquietações: Quem de fato tem a voz ativa, nesse regime? As articualações políticas são mas mesmas, só mudaram alguns nomes. Deram rótulos novos à impunidade.

A democracia, acima de tudo, concede ao “povo” – termo que deveria ser interpretado de forma homogênea – o poder de tomar (indiretamente) grandes decisões. É uma incoerência irredutível, tornar a população inerte diante das decisões parlamentares, – por mais que, em tese, o escolhido pelo povo, toma decisões por ele – sendo que a insatisfação popular passa despercebida. Tendo esses, tão como o que foi proposto por Cristovam, a aptidão para decidir, inclusive sobre a “necessidade” da existência ou não de um Congresso. A ideia não é infundada, esse pensamento só existiu devido tamanho descaso do Estado (como instituição) diante das necessidades e “queixas” de seus contribuintes, se é que podemos chamar assim.

Se a sociedade delega poderes a alguém, esse deveria ser o seu subordinado, não o contrário. Não vivemos em prol de um Estado soberbo em onipotência – pelo menos não era para ser. Isso seria ditadura fantasiada de “bem-estar social”.

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“Metautilizando” a Metalinguagem: Metáfora I

Gostaria de falar da banalização do amor, mas há um problema, pois falar sobre a banalização do amor já está banalizado. Queria falar então do quanto está saturado escrever sobre a dor, mas falar do “falar da dor” é que está saturado. Eu queria, mais uma vez, dizer que somos um clichê, mas não há clichê maior do que “clichê” pronunciar. Eu queria dizer que melancolia é um tema batido, mas o tal dizer faz-se um como um tema do passado… Eu queria dizer que nossos conceitos sobre política, ainda não ultrapassam o senso comum, mas é já um grande senso comum isso ser notado (e negligenciado).  Eu tentei dizer que adquirir cultura é um costume secular, mas insistir nessa ideia é ser ultrapassado. Nós somos os “sabe tudo”, mas nunca vi tanto conhecimento assim, inerte, apático, vedado.

Quando o obsoleto se moderniza, percebo que o moderno torna-se um fracasso. Quando o fracasso sobressai à “mídia”, vem o jovem no intuito de “assumir-se revoltado”. Quando a revolta assume algum compromisso, a alienação se encarrega de nos deixar cansados (antes de começar).

Era iminente; GERAÇÃO 90!

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“Deixa que o demônio põe pra nós beber”

– São 20 reais.

– Caramba! Andaram aumentando o preço da cerveja?

 

Enquanto resmungava, juntou os pedaços embolados com duas notas de cinco, uma de dez e entregou ao homem do balcão. Saiu caminhando, para lugar nenhum, continuando com a lastimação (podemos concluir que os bêbados falam sozinhos por solidão e não por insanidade):

 

– Será se pobre não pode beber? 20 reais compram um almoço e janta! O miserável tem que escolher entre comer ou beber? …Devia ter sido consultado no “nascer ou não nascer”, “ser pobre ou não ser”… Mas não, só é questionado com o “beber ou não beber”! É só isso que ele pode decidir sozinho. É uma palhaçada.  

 

De repente, uma voz rouca, peculiar, vinda não sei de onde:

 

– Contente-se com o que tem, homem! Pare de chorar a dor alheia.

 

(uma dica, caro leitor, não faça isso. Não provoque um homem alcoolizado)

 

– E quem é que está chorando? – Olhou ao redor e não viu ninguém – No mínimo mais um que ‘abomina’ (ironia) o álcool! Comprei com teu dinheiro?

– Não. (risos)

– Então vai à merda!

– Melhor não repetir o “pedido”, caso contrário terei de levá-lo comigo.

– Só pode ser um velho moralista!

– Velho talvez, mas moralista não…

– Se não é um moralista é um imprestável desocupado! Devia ter pena de morte aos imprestáveis!

– Mas aí não teríamos cemitérios o suficiente, Juarez.

– Quando que eu teu falei meu nome? Você lá é coveiro pra entender de cemitério?

– Na minha condição, sei de coisas que não precisam ser ditas. Coveiro não, mas tenho certo “contato” com os mortos.

– Ah, nem vem, de louco já basta eu e “Pai de Santo”, para cima de mim, é furada!

– Nem louco, nem “Pai de Santo”. Estou te olhando já tem tempo, Juarez.

– Então some da minha frente ou desço-lhe a mão, seu curioso! Nem tenho nada de valor, se é assalto, perdeu seu tempo!

– Não seja tolo! Quando souber quem eu sou, vai retirar o que disse.

– É juiz? É Delegado? Se for uma das opções, já vou pedindo desculpa, estou meio nervoso, não queria ofender o senhor… Se for polícia, nada fiz para ser preso…

– Diabo.

– Que raio de nome infeliz é esse, companheiro?

– Não, Juarez. Sou o Diabo, vivo!

 

Pausa… Silêncio. Juarez analisa a situação:

 

– Rapaz, mas que coisa… Olha, seu Diabo, eu esperava até o papa, menos você.

– A maioria das pessoas se assusta. Correm, gritam, desmaiam – Diz o diabo, com ar de surpreso.

– É mesmo? Que triste. Olha, eu sinto muito, o povo é meio besta mesmo. Repara não.

– Não! Não sinta, é a tendência natural das coisas, o estranho é você.

– Eu até pagaria uma bebida, sabe, mas o bolso ta vazio… De qualquer forma, vamos sentar no bar do Zé, jogar conversa fora é de graça.

– Como queira. Não se preocupe com a bebida, dessa vez eu pago – disse o Diabo.

 

[…]

 

– O pessoal costuma contar muita história sobre o senhor.

– Senhor está no céu, o meu lugar é mais embaixo.

– Verdade, verdade. É o costume, vai desculpando. Enfim… E a tal relação com bode…?

– Odeio bode!

– Ah, melhor assim. (pausa) E essa de que 666… (é interrompido antes de terminar a frase)

– Não tenho relação nenhuma com os números. Isso é coisa do cristão.

– Há, eu sabia! Nunca levei essa de “número da besta” a sério.

– Pois então. Besta é quem me chama assim.

– Claro. Com toda razão. Falta de respeito com o senhor… Digo, com ‘você’. (pausa. Um breve silêncio) Diabo, demônio, Capeta… É tudo uma coisa só, ou é teu pai, teu primo…?

– Juarez,  não seja tão tolo. Sou o diabo, o único ser que habita o inferno. O resto é homônimo, pseudônimo, apelido…

– Ah, ta certo então. Exagero, né? Pra que tanto nome?! Sem querer ser inconveniente, mas nem mesmo o papo de “Lúcifer”, lá da bíblia, é verdade?

– Essa muito menos. “Anjo Caído” (ironia) tem coisa mais brega? Parece nome de novela das seis. Mas confesso que a história é interessante. Se não me engano, segundo ela, eu era um dos anjos Dele, me rebelei, fui expulso do tal paraíso. É até criativo, não podemos negar.

– E como é! Nessa eu até acreditava.

 

[…]

 

A conversa rendia, a garrafa ficava vazia e o Diabo insistia em bancar as doses seguintes. Os dois persistiam na conversa, no auge da exaltação.

 

– …Eu lá, me declarando com a Amélia, todo feliz… Só porque ia pedi-la em namoro ela some da minha vida, do nada! Isso é coisa sua, seu Diabo! Só pode ser!

– Ah, seu bastardo! Deixou-a plantada horas, te esperando, no dia do tal pedido. Queria o que?

– Ah, é verdade, nem me lembrava disso. Mas saiba que tive meus motivos. (Buscava na memória outros nomes e outras situações. A Exaltação continuava) – Mas e a Marieta? Essa você tirou de mim! Saímos, dormimos e no outro dia sumiu!

– Você foi embora e esqueceu-se de pagar a conta do jantar, dormiu na rua, com uma prostituta, confundiu a com Marieta, ela roubou sua carteira e você passou semanas sem se lembrar de nada!

– Caramba… Foi assim mesmo? Por isso que… Ah, melhor deixar pra lá.

– Não sei do que reclama. Com a Rosângela você quase se casou! Na primeira noite eu até lhe ajudei a “levantar”, se é que me entende.

– Opa, fale baixo! Essas coisas a gente não espalha… E foi você? Eu jurava que tinha tomado Viagra.

– Confundiu as caixas, idiota. Tomou analgésico.

– Hum, menos mal… Pois bem. Final do campeonato de futebol entre bairros. Quebrei o pé no último jogo! A partida estava em minhas mãos, fui ter uma torção na cara do gol, no último segundo, no último ataque. Não seria possível que essa passasse despercebida!

– Certo. Essa fui eu.

– Maldito, filho da mãe!

– Ah Juarez, contenha-se, sou o Diabo, não seu anjo da guarda! Não tenho porque fazer “bondades”, marcar gol, ou ganhar partida de futebol.

– Custava, ao menos, não interferir? Se fosse pra sacanear, quebrasse minhas duas pernas, mas depois do jogo, não na hora do gol da vitória!

– Se quiser quebro-as agora!

– Ou, não é assim, relaxa… Já até esqueci o episódio.

 

(outro gole na cachaça)

 

-… Ao menos o gol eu merecia ter feito.

– Ainda nesse assunto?! Você era um prepotente! Seu time subestimou todos os outros da região. Eu devia ter rachado essa sua cabeça, para diminuir sua arrogância.

– Ah, ta bom então… Não está mais aqui quem falou. Mas uma coisa eu digo, fazer-me bater a moto do Zé foi sacanagem! Minha conta no boteco já era extensa, custei pagar o conserto daquela magrela.

– Eu? Você quem pegou a moto, sem condições de dirigir! Bêbados não guiam nem mesmo o próprio corpo, veja lá um veículo!

– Então fizesse com que eu caísse antes de subir nela, ou então que o estrago fosse quase imperceptível!

– Francamente, quantas vezes eu tenho que repetir que são donos das próprias ações? Para vocês, se algo der certo, foi Deus! Se der errado, foi o Diabo! E quando que a culpa é para quem cometeu o ato? Vocês são o que? Marionetes vulneráveis? Eu tenho que aceitar a culpa de todas as cagadas que você faz?

– Eu tenho que passá-las para alguém, se eu guardar comigo, daqui uns dias não tem mais espaço para a consciência.

– Não seja desprezível, Juarez…

 

[…]

 

– Me leva com você?

– Para onde, infeliz?

– Para o inferno, oras!

– Tem uma vida por aqui, não seja tolo em abandoná-la.

– E quem disse que eu gosto da vida?

– Então se mate!

– Mas se eu for para o céu?

– E se não existir o céu? Sem contar que suicídio é pecado, ao menos é o que dizem. Se estivermos certos, tu vais direto para mim.

– Se todo pecado leva ao inferno, o céu ta mais carente que aqui!

– E quem importa?

– Importar, eu não importo, só queria entender.

– Não entende nem a si mesmo, homem, veja lá sobre morte, céu, inferno…

– Que seja, vá pra inferno então!

– Com todo prazer. Até a próxima, meu caro. (sumiu sem ser notado)

 

Enquanto se levantava para partir, Juarez escuta o grito do Zé, de trás do balcão:

 

– Aonde vai, seu malandro?

– Para onde mais eu iria, Zé? Para casa, oras.  

– E essa conta, vai ficar aqui? Acha que sou burro de levar um cano alto desses?

– Do que está falando? Meu amigo pagou tudo.

– Que amigo?

– Ele foi embora tem pouco tempo.

– Acha que vai me passar a perna? Você esteve a tarde inteira sozinho. Bebendo doses e mais doses aí nessa mesa, conversando com as paredes!

– Era o Diabo, Zé! Sabia que não podia confiar no miserável!

 

Depois disso, o homem se acalma, diante da possível invalidez daquele bêbado:

 

– Você estava discutindo com a própria sombra, Juarez. Precisa é se tratar, meu caro!

 

Juarez fica estático com a notícia, mas antes de se preparar para correr – já que não teria como pagar -, soltou um grito estridente, olhando para o chão:

 

– SEU FILHO DA P…!

 

Testemunhas dizem que o xingamento foi respondido com risadas macabras que ninguém sabia de onde vinha. Zé enfartou na hora, tamanho fora o susto e Juarez assumiu o bar… Por pouco tempo, claro, pois morreu alguns meses depois, após beber toda a bebida do estoque. Provavelmente, procurava o “amigo”; antes para acertar as contas, agora para agradecer.

E agora? Nem eu sei.

Nem cercado de um milhão de pessoas, a humanidade consegue amenizar a insignificância da sua existência. Contudo, vim a descobrir que existem casos, onde sozinho, ele consegue ser ainda mais medíocre. Surge a necessidade de “alguém”, tão forte e vital quanto as outras.  

 

Eu estou feliz, isso me limita nas palavras. Talvez seja um momento mais de sentir do que “falar”. O Luiz Phelipe que escreve é impenetrável, triste e por isso tão íntegro. Ele era(é) “satisfeito” com a situação – jamais contente. Como se dá na introdução, estou limitado (no quesito construção textual). As palavras fogem, os sentidos são imperceptíveis, as teorias se dissolvem, volto a cair em contradição e me conformar de que não sei nada da vida, não sei nada sobre o ser humano e nem quero aprender.

 Depois de muito tempo, eu não estou só.

 Ao leitor; conforme-se com um texto cru como nenhum outro e sincero como todos aqui.

 Meu texto é pobre, como a nossa carne – junto aos ossos, músculos e terminações nervosas, que são taxadas complexas, mas estão descritas em qualquer livro de biologia – porém, assim como a mesma, é vivo. Ele pulsa, ele respira a verdade que é escrita entrelinhas. A realização anda conforme a vontade enquanto meu veículo é a paciência… Que não seja outro “aprendizado”.

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Passares por aqui, um memorável “infeliz contente”

  No final das contas, tudo é interessante, inclusive a dor. Não sei por que de tanto medo, a dor é vital, é necessária e é aprendizagem. Confesso que sem dor, melancolia e tédio, eu já teria apelado para o suicídio – deixando claro que a ideia nem passa pela minha cabeça. Na dor, quando você não chora, limpando a alma, você namora a própria consciência flertando com a tolerância. Só assim ficamos diante de um (auto) entendimento que não tem preço.

   Eu fico aqui, escrevendo sobre a carne, o extinto, o “sofrer”, o racional… Sobre o “não sentir”, “não amar”, “não viver”, e acabo me perdendo nas minhas próprias palavras, acabo sendo vítima da minha própria dúvida, escravo do meu pessimismo, um subordinado ao rancor. Sou tão convicto do que escrevo que ando absorvendo isso para mim de forma irreversível. Ando meio vazio. Isso não me incomoda, mas às vezes amedronta e o único problema do medo é que ele é egoísta, egocêntrico e todos os “egos” a mais. Quando se tem medo, não se sente mais nada, ele por si só, preenche o espaço no cérebro destinado a qualquer outro “sentimento”. Medo é vulnerável demais, é tolo demais… Digamos que sou tomado por ansiedade. Essa sim compartilha “espaço”, mas vem junto da agonia e da aflição.

   Eu gosto do frio, do vento, da dor e até mesmo das lágrimas, por mais que elas não costumam me visitar. As palavras são máscaras e, junto à composição dos textos, a prova da minha covardia. Talvez eu tenha essa mania de “teorizar” tudo a fim de me preservar e me esconder da vida. Aqui eu desisti das pessoas. Lá fora, eu sou o dono do sorriso. Difícil é entender que esses dois são um só.

   Eu queria ser um eremita, eu queria ser um comunista, eu queria ser um budista, eu queria até mesmo ser misantropo ou um lunático viajando o mundo. Morrer na África abraçado à escória do mundo, ou me esbanjando na “libertinagem” de Amsterdã. Poderia lutar por isso, mas não luto, poderia correr atrás disso, mas não corro, poderia batalhar pelos meus sonhos, mas não batalho.

   Fizeram a escolha por mim. Sou um filho da sociedade moderna. Farei apenas o que me remete a uma “aceitação” medíocre. 

    Faculdade, concurso público. Alta conta bancária. Uma mulher, dois carros, dois filhos. Casa em condomínio fechado, imposto de renda pago e TV a cabo. Incrível, vamos aplaudir. Conseguiram conceituar a “felicidade”.

 

somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião…”.

Homem: o lado irracional dos leões

adapt.

Os leões são felinos enormes e fortes. Apesar de entrarem em alguns conflitos casualmente, são sociáveis, podem possuir até quarenta indivíduos em um grupo.  Em um bando, há divisão de tarefas: As fêmeas são encarregadas da caça e dos cuidados com o filhote. O macho é responsável pela demarcação do território e pela defesa do grupo.

No livro de biologia do ensino fundamental, você viu escrito em alguma das páginas a explicação do que é um ser vivo e, não obstante, a única função dos animais; nascer, crescer, reproduzir e morrer. Hoje, na condição de “mente adulta” e amparada com insuportável presunção, você se coloca a fins “superiores” e assim é como se sente. Mas não vai mudar o fato de que o único propósito irrevogável é o do “nascer, crescer, reproduzir e morrer”. Até então, nada diferente deles, os Leões.

Nunca (nunca mesmo) sabemos o que realmente importa. Envolvemo-nos ao acaso, não nos envolvemos por descaso e seguimos essa “tendência”. Sempre juramos, a favor de todo egocentrismo, estar acima dos erros. Temos culpa? Não. Não sabemos, pelo grotesco fato de não saber. Parece um pouco boçal, não? E na verdade é. Nascemos tolos. Morremos tolos. Não é preciso lógica elaborada e grandes filosofias…
Um exemplo, é quando sentimos atração ou nos apegamos a alguém e de repente não externamos mais nenhum interesse. É o corpo, é a mente, é a carne.  O que há de tão abominável no fato? … É a futilidade “almática”, não temos culpa, somos onipotentes e demasiados.

Nada é de exclusiva natureza masculina ou feminina e sim de natureza humana. Eles (os “selvagens”) têm “extintos”, nós não – por mais que o “Discovery Channel” diga o contrário.  A nossa mediocridade, junta ao nosso (falso) auto julgamento de “os oniscientes”, nos dá a infeliz sensação de que precisamos, julgar, definir e rotular… Variamos entre o “João é uma ótima pessoa” e “aquilo é um mau caráter!”.  Somos todos escravos. Não há distinção. Séculos passaram. Valores foram moldados, modificados, readquiridos e quanto a nós? Tornamos-nos cada vez mais escravos, uns das próprias ideias, outros do atual sistema excludente.

Vejamos. Os leões brigam por carne. Nós também… Não arranhamos e nem mordemos uns aos outros (pelo menos, nem sempre), mas lutamos de forma covarde. A unhada é quando o outro não nota e o abraço é a lacuna  para a mordida.  Antes a briga.

Os leões encaram uns aos outros, a fim de preservar a própria vida. Enquanto nós lutamos por sobrevivência de forma covarde. Somos hipócritas. Ao nascer já tiramos oportunidades alheias. Tomamos a “carne” do outro com um sorriso falsamente benigno. Já os leões, quando lutam, rugem, enrugam a cara e mostram que estão ali prontos para o desafio. Eles brigam e tem uma necessidade existencial disso. Nós (teoricamente) “fugimos” da briga em prol de um ambiente pacífico ao mesmo tempo em que matamos milhares de pessoas, todos os dias.  A nossa “necessidade”, qual é?  Fingimos não saber, pois é mais confortável…  Só se é condecorado com o título máximo de “bom cidadão” quando colocado em situação confortável, cercado de um cotidiano que lhe convém e o sustenta. Justo? …És ruim quando os “benefícios vitais” não existem ou são omitidos. E quais são as leis para isso? Os “bondosos consagrados” não levantam a mão, não gritam, não reclamam, pois o sistema atual faz bem, quem seria o tolo a questionar? Eis o egoísmo. Nós, seres humanos, somos ruins por essência e em poucas vezes isso é inconsciente, só não aceitamos.

Isento das metáforas dessas palavras e da petulância do texto eu digo… “Quem dera fôssemos tão digno quanto eles: Os leões”.

Tráfico de ideias

  Existem pessoas realmente diferenciadas. Nem precisamos ir longe citando Einstein ou Nietzsche, as pessoas diferenciadas são as que possuem capacidades que superam expectativas. Na ocasião: Capacidade didática. Contudo, o texto não é para falar do meu professor de gramática, que é dono de uma genialidade peculiar, mas sim da epifania que ele me permitiu despertar, explicando o significado e o significante da palavra escrita. Um representa, o outro relaciona e daí por diante. Epifanias merecem ser questionadas, discutidas e postas ao papel.

 

  Qual foi a última vez que você comprou um sanduíche? – Um sanduíche do Mcdonalds. Um sanduíche de verdade, com hambúrguer, algum molho e outros ingredientes? Faço essa pergunta, por um único motivo: Esse sanduíche não existe mais. Não se compra um carro de luxo ou um convencional. Não se compra um livro de filosofia ou uma revista masculina. “Compra” é uma palavra que perdeu valor, mas que não foge ao significado original, o de adquirir alguma coisa. A “coisa” a qual se adquire é que foi distorcida e comprar deixou de ser um ato, é uma aquisição de conceito. 

  “Você não compra um produto e sim a ideia associada ao produto em questão”, e quem discorda? O Mcdonalds não vende um sanduíche, vende uma imagem, pois lá é um estabelecimento de entretenimento, por mais que esse seja um ato de se alimentar.  Você não compra um carro de luxo, mas sim a ideia de que aquele carro é o espelho do seu padrão de vida e é conceito de luxo e conforto. Não fazemos compras no Pão de Açúcar, mas sim no “lugar de gente feliz”.  As coisas não precisam “atuar” por si só, podem ter significados implícitos e a publicidade descobriu isso há muito tempo.

  O preço dos produtos, a disponibilidade do produto no mercado, assim como a credibilidade e o quanto é consumido. São todos requisitos variáveis conforme a ideia que acompanha o que está em venda.  

  Vão dizer que é consequência do mundo moderno e que tudo faz parte do sistema, mas não! Isso é uma alienação consciente, a tal inversão de valores, que no momento prefiro usar “inversão de conceitos”, nos deixa cegos, surdos, mudos e deveras tolos. Quanto mais conheço os capitalistas, mais gosto dos eremitas e seus semelhantes.

O velho que já não envelhece mais

  As luminárias estão lá. Uma a cada 30 metros, aproximadamente… Não sei se iluminam, mas funcionam de muitas outras maneiras. Não sei com qual intuito foram colocadas lá, mas deixam a rua com um toque espetacular. Não sei nem se acendem, mas despertam certa curiosidade e instiga quem passa ali, pela Avenida Goiás, sendo destinado a buscar nas sombras da memória as imagens de um cenário que antecedeu onde hoje se abrigam as luminárias, os bancos de madeira, a grama, as árvores que disputam espaço no céu…

  As lembranças são belas e estão adormecidas. Detalhes como os do centro de Goiânia, fazem com que elas não se percam no tempo. Quando estou por ali, não só “imagens” de um cenário passado vem à minha cabeça, mas também, as lembranças de um cotidiano, de valores e costumes, aqueles que se tornaram obsoletos, aqueles que poucos sabem como são. Décadas que eu nem vivi, mas faço questão de nunca esquecer.

  As construções estão lá, preservadas, com suas fachadas clássicas, que podem unir barroco e cubismo… Não sei se todos são tomados por esse sentimento nostálgico que me possui, mas diante de toda besteira oriunda da câmera municipal e/ou maiores instâncias (em Brasília), algumas leis são bastante úteis, merecem prestígio, são simples (no papel) e de grande importância. Fico feliz por existir leis de preservação do patrimônio histórico. Muita gente questiona, mas existem atitudes que deixam o seu significado entrelinhas, só é perceptível àqueles aptos a notar o sentido das coisas.

  Só sei que as luminárias estão lá – decorativas ou não. Os prédios estão lá, respeitando a arquitetura original, aquela do século XX. Os bancos de madeira e a grama estão lá, assim como as árvores, disputando lugar ao céu.

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