Arquivo mensal: março 2009

O Mafioso – personagens;part-1.

 

“Eu sou o que não faz questão de sentir. O que poupa as emoções e tem a razão acima de tudo. O que é um paradoxo, pois a razão que “utilizo” é a do dedo no gatilho, que por vez só funciona com emoção, adrenalina e um peito pulsante… Eu não tenho amigos, não tenho namorada e não me olhe com piedade nos olhos, pois eu não me importo. Nós temos escolhas, irmão e digo, escolhi viver assim! É minha opção é meu direito”.

Claro, eu me apego em algumas coisas. Apego-me a meu calibre 42. Se eu te disser que não sei o que é amor e nem mesmo desperdiço o meu tempo, que por vez é pouco, esboçando as palavras  a fim de definir essa asneira, você seria capaz de rir! Aliás, nem isso, pois seria um confronto à minha pessoa e sei que me teme. Sei que todos me temem e é isso que eu busco.
Já disseram que eu amo a minha profissão, mas não! É o meu ar, entende? Preciso dela para sobreviver, preciso de algumas coisas para viver, apenas isso. Mas se pudesse abrir mão, talvez o fizesse. Se pudesse matar a sede e a fome com um tiro na cabeça hoje seria um homem mais completo, mais distante dos outros meros mortais, mas essa semelhança infelizmente me aproxima dos menos favorecidos. Que seja!
Não me toque e não me faça pedir por favor, não preciso disso, aprecio os bons modos e o respeito. Sou justo até com os que mato, mas nestas condições os meus bons modos não entram em cena, sabe disso. Agora se afaste. Nem preciso dizer que é para seu próprio bem.
Porque não entra no carro e soma daqui? A dor é fundamental, nos faz mais forte, apesar de que eu nem sei mais do que se trata, talvez porque a força tenha alcançado seus limites e a dor seja enfim impenetrável.
Você está insistindo, terei de usar o meu “prazer”. Sabe que eu não quero, mato quem precisa morrer. Não quero que com o senhor chegue a esse ponto, mas essa decisão não cabe a mim. Sabes também que eu o admiro e que isso pode frear a minha ganância em fazer o disparo final, mas os “freios” não são tão fortes quanto as minhas vontades e o meu prazer de não me prender a pessoas que insistem em querer fazer de mim algo sentimental.
Eu sou um monstro,  sim, não pense que isso vai fazer de mim pior ou melhor, tenho consciência dos meus atos. Enxergo-os do outra forma. Faço o que precisa ser feito e outro não tem a capacidade.
Desta vez, sinceramente, sinto muito pai;  precisa ser feito, e logo. 

Caminhou em direção à limusine, enquanto sangue do homem escorria pelo chão.

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Rasuras – 02/02/09 [15:30h]

Cadeira de plástico. Almofada de algodão nas costas. Uma papel em mãos, apoiado em um livro que por sua vez apóia-se na minha perna. Sim, é uma descrição ridícula, mas é real. Pra falar a verdade, dei início a essa escrita sem saber se teria um fim, escrevi apenas a alimentar o meu hábito.
Conforme o enredo progride, prevê-se que o texto e todo seu conjunto se resumirão em “ridículo”. Eis a sina de quem escreve; o fazer sem nenhum intuito, não falar de nada, não ter propósito aparente, apenas permitir que a esfera na ponta da caneta faça lá suas acrobacias: pingos nos is, dois-pontos, travessão, cedilha, exclamação… Fico feliz em saber que é a mais estúpida, tão porém, a mais sublime das minhas narrativas. Não só de obra-prima vive um artista. Sabia que teria um início e repito, não esperava por um fim. Esse que a partir de agora eis de ser traçado.
Posso posta-lo no meu blog, a internet já não está sendo útil para muita coisa, ao menos que ela arquive as minhas rasuras. Pouco divulgo o que eu faço, como disse anteriormente a internet serve apenas para arquivá-los. Nunca me importei muito com a platéia.
Ah, mas essa é apenas uma das opções. Posso embrulhar o papel na mão e encaminha-lo ao lixo. Caindo no esquecimento, enterrando palavras que nunca deveriam ter nascido. Posso jogá-lo em umas das minhas pastas, – destas que eu não vou abrir por tão cedo – fazendo desses pensamentos insanos rabiscos em vão.
Enfim, eu paro por aqui. Se eu for acompanhar o ritmo da chuva que cai lá fora, vou me perder em meio às palavras. Vou por mim, mais uma vez parafraseando. Se alguém estiver a acompanhar isso, eu coloquei no tal blog, sabendo que alguém poderia ler ou não… Alguém pode gostar ou não. E a dúvida de que se isso fez ou não algum sentido, já me é suficiente.

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