(Em)frente; Dias que não voltarão mais

Você Já percebeu como temos um hábito contínuo de saudar momentos superados? Já fiz esse  tipo de indagação antes, mas reitero. Qual o porque da nostalgia e dos saudosismos? Não posso concordar com a máxima de que somos movidos pela insatisfação, onde o passado sempre terá um aperitivo que o presente parece faltar, numa simbiose vital entre saudade e inconformismo. Sinto-me na liberdade de atribuir a essa ideia, novas significâncias. Concluo: sentimos falta dos sentimentos! E não é que deixamos de sentir, no mais lato significado, mas é que a absorção das emoções se dá em momentos distintos. Primeiro é uma descarga momentânea, onde você ri, ou chora, felicita, lamenta etc. – ela traduz um comportamento; e um momento posterior, onde o sentimento se cristaliza e se torna lembrança, eternizando uma sensação que a priori era momentânea. Essa segunda etapa leva tempo para ser notada, então a impressão imediata é a de que tudo que a gente já viveu (descargas sensoriais simultâneas) parece ser melhor do que o que vivemos nesse instante (que é a absorção daquelas sensações). Eu tento agir e pensar diferente. Dou uma carga maior de relevância aos meus momentos. Sentimento se traduz em um pouco de tudo.

Sou daqueles que alimenta banalidades, assim eu sinto o amanhecer de um dia de sábado, eu sinto o prazer de um fim de tarde com música e chuveiro quente… Gosto muito das coisas que já vivi,  feliz por momentos que presenciei, pelo privilégio de tê-los na memória, mas a minha felicidade é dia-a-dia. Não serei pretensioso a ponto de dizer que nunca me rendo a saudosismos, a lembranças localizadas, dias específicos, envolto a pessoas e locais aos quais não mais pertenço… Todo esse resgate faz parte, mas a vida é (em tese!) linear, contínua e tudo é digno de sentir, de absolver, de aproveitar. Tudo! Temos (geralmente) muitos objetivos a serem conquistados, muitas metas a serem atingidas e isso que determina a importância de não preferirmos o passado (aonde menos responsabilidades existiam), nem viver apenas na expectativa de que chegue o futuro (embora onde, hipoteticamente, os desafios serão “superados”), apenas absorver os “projetos” em suas “etapas” e tirar proveito disso. A vivência é um todo, e sentir, agora, no sentido mais estrito, é o que há de mais legal no fim da história, Porque afinal, “a vida é um sopro” *.

* Citação: Oscar Niemeyer.

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