Nem mesmo “ordem”, veja lá o resto

  Um dia ouvi dizer que estávamos no progresso e que a crise era apenas um momento inoportuno, uma pausa do caminho árduo. E eu, contido pela imaturidade, fui obrigado a acreditar. Décadas depois, estamos nós, diante do fracasso – vão dizer que sou tolo, que meu conhecimento é limitado e que não assisto ao jornal, não vejo as manchetes que exaltam nossa “prematura” economia (em uma análise medíocre da expressão: Não porque nasceu antes da hora, mas porque ainda é fraca. Na ordem natural das coisas devia estar dando passos bem maiores). Eu tenho que engolir o presidente dizer que somos auto-suficientes em petróleo – aquele que é caro para os habitantes da “fonte” e barato para os que compram -, não vou entrar nesse discurso, pois o contexto é extenso e a ocasião não permite.

 Falta muito, muito mais, para chamar essa situação de “progresso”.  Eu não suporto mais o argumento, “ah, pelo menos o PIB cresceu!”, “Estamos bem nas exportações!”, “Nossa economia superou a recessão!”… O caminho não é bem por aí – por favor, não sejamos cretinos, ninguém aqui quer menosprezar o excelente trabalho do Meirelles e, em parte, do Mantega, volto a dizer que o foco é mais amplo e a crítica vai além. O interessante seria termos a consciência que nunca saímos da crise. Junte um dinheiro, dê uma volta pelo país e tire suas próprias conclusões.

  Isso nem mesmo é um texto digno a ser postado, diante de outros tão bem estruturados que se encontraram por aqui. Mas a decisão não cabe a mim, as palavras ganham forma diante da indignação, oriunda do quanto somos imaturos. Contentamos-nos com pouco e nos instruímos sem informação. É possível? Claro que sim! Quem dera fosse autodidatismo, mas é política do “deixa rolar”.

 

Célebre, Mario Quintana:

 

Minha terra não tem palmeiras…

E em vez de um mero sabiá,

Cantam aves invisíveis

Nas palmeiras que não há”.

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