Apagado, mas nunca em branco.

  A única certeza que temos é de um dia morrer, já que a de nascer aconteceu sem o nosso consentimento. Contudo, as coisas tendem ir além, até lá passaremos pelo que chamo de “processo” e por ele enfrentaremos outros “requisitos vitais”. Até gostaria, mas dificilmente eu teria a capacidade de citar todos, fico então com um dos mais significantes: A saudade.

  De um modo geral, podemos encarar a vida com uma saudade constante. Durante o seu “crescimento”, sua mãe vai sentir falta de você quando era uma pequena criança, tão como você sentirá saudades desse tempo, em que não tinha responsabilidades. Esse sentimento, nesse instante, é compartilhado. O difícil é encarar sem medo, virar para sua colega na quarta-série (em véspera de formatura de final de ano) e dizer, “não sorria tanto por sermos amigos, daqui alguns anos, todos esses seus colegas se renovarão e dificilmente você recordará meu rosto” – claro que ninguém tem essa maturidade aos dez anos de idade. Pior ainda é no terceiro ano do ensino médio, quando nos julgamos maduros e achamos que já vivemos tempo suficiente para nos tornarmos amigos para sempre; “vamos trabalhar juntos!”, “vamos abrir nossa empresa”, “na faculdade seremos da mesma sala”, às vezes essas coincidências acontecem, mas na maioria dos casos se resume em “eu conheço você? Por acaso nós estudamos juntos? – Ah, eu acho que não, deve estar me confundindo com alguém”.

   Nem mesmo o nosso nome é de nossa inteira propriedade – já que nem tivemos a oportunidade de escolhê-lo – veja lá o poder de optar entre “sentir ou não”. Apesar de que saudade é mais uma consequência do que um sentimento. Consequência de um cérebro que só guarda informações que ele julga necessário; De uma vida que exige mais do que oferece; Do tempo que nos lança para a “evolução” ou nos condena ao “obsoleto”. Assim nós sentiremos falta do cheiro, da cor, da música que tocava. Do homem que falava. Das palavras que nos dominavam, das imagens que nos marcavam e estaremos soberbos de nostalgia…  Sentiremos falta das pessoas que nos amaram e das que nem nos conheciam.

  Um dia isso vai alimentar um amor, no outro vai te fazer chorar, quando você notar que não tem mais ao seu lado, alguém que você precisava, nesse dia não sentirá saudade apenas da companhia, mas também do quanto era bom sorrir.  

  Eu sinto saudade do que eu não vivi. Como por exemplo, do festival de Woodstock, quando, Jimi Hendrix fez uma multidão chorar com a magia da sua guitarra, tocando Hey Joe. Eu, nem vivo era, mas é uma saudade que guardo comigo e levo para o túmulo consciente de que ela me faz bem. Meus filhos vão ver fotografias, discos e textos, eles perguntarão “o que é isso?… Quem são esses?… Do que se trata?”, não precisarei contornar a situação, nem contar bonitas histórias, será mais sensato resumir em: “Isso aí é saudade”.

 

 

Já dizia Chico Buarque:

 Oh, pedaço de mim

Oh, metade adorada de mim

Leva os meus olhos

Que a saudade é o pior castigo

E eu não quero levar comigo

A mortalha do amor

Adeus.

 http://lpf-inrasuras.blogspot.com/2009/09/titulo.html

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