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Nova coluna política!

Veja aqui meu novo artigo político, como colunista do gostodeler.com!

‎”O paradoxo: (marketing) contenção de gastos públicos x manobras inertes”

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Abstraindo vida por um empirismo banal

O dia era frio, em vários aspectos. Exatamente como Rick Fitts (American Beauty 1999) descreve um dia qualquer, em que há eletricidade no ar e o tempo antecede a neve. No caso em questão, só choveria. O vento suave e gelado arrepiava cada fio de cabelo do corpo. Leve. Constante, sentia que minha alma era levada junto. A sujeira ao chão ganhava forma, as nuvens faziam desenhos. A poeira, acrobacias circulares como se houvesse um padrão… O silêncio era pertinente, só uma folha seca que insistia em arranhar o asfalto, contribuindo discretamente com o espetáculo. A luminosidade diminuía junto à temperatura. Seria Deus?

O que era leve voava sem rumo. Pedaços de coisas se arrastavam indo para algum lugar. Portas fechadas. Os primeiros relâmpagos rasgando o céu eram sinais de que seria divertido. A primeira gota pingou no meu braço. Apenas o óbvio: Perfeitamente úmida. Escorreu como se procurasse saída. Eu me contive ali, parado. A segunda gota fez sinal no chão. Pesada, veloz, como se não soubéssemos de onde vinha. Nessa hora acreditei realmente estar vivo. Além disso, descobri a grande dádiva da vida, que independente de qualquer propósito, ou doutrina, é “sentir”.

A água poupou demais apresentações. Caiu elegantemente furiosa. Lavou-me os cabelos, molhou-me os pés por dentro dos sapatos. Senti-me instantaneamente encharcado. Senti-me, instantaneamente satisfeito. Senti-la, foi sentir-me feliz. Eu estava prestes a morrer afogado em meus batimentos cardíacos, podia sentir cada partícula de sangue que percorria minhas veias enquanto a água mantinha-se a escorrer de cada centímetro do meu corpo.

Trinta minutos depois, caminhava para a casa, de cabeça erguida e sorriso estampado. A tempestade havia parado e eu era uma goteira humana. A triste certeza: A vida voltou ao stand by, enquanto isso a rotina é ativada. Damo-nos, sem saber, com a ausência de Deus, e pior, a ausência de “sentidos”. Onde chuva é apenas chuva, ou fenômeno meteorológico. Ao contrário de nascer, viver é opção, não obstante uma questão de percepção mais aplicada às coisas. Simples assim, um empirismo banal e rotineiro.

Paráfrase de Fernandes com Marinho e vice-versa

Ando sendo um escritor medíocre. Tão quanto a frase medíocre, qual medíocre me intitulo. Falta-me vida – disse. Falta vida nas minhas palavras. Tenho essa certeza quando leio aos meus ídolos, aos meus amigos, àqueles quais com a alma escrevem (assim acredito). O contrário, receio – respondeu o poeta. Tens-lhe muita vida, por isso não escreves. Eu, quando essa tinha, queria viver. Escrever, apenas quando aquela não puder mais, ou não mais possível for o meu usufruto. Faz todo um sentido, claro, como não?! Mas como explicar essa vontade que me corrói em vida. Teria, eu, duas delas? Socorra-me, caro poeta. Ele o fez – Enquanto pude viver também queria me subordinar à escrita. Mas temos que aprender que as coisas se pautam em “momentos”. Vivemos para transformar a coisa vivida, no conseguinte, em poesia. Não se pode escrever acerca do que não se conhece. É preciso se jogar na vida antes de transformá-la em linhas. Compreendo meu caro. Mas o entendimento é até certa medida. Sinto que fazemos jus ao brocardo de que as palavras refletem o estado de espírito daquele que as possui. Ou é momento ou acúmulo de experiência – deduzi. Cautela, cautela. Fiquemos com “experiências”. Não digo que vivi tudo que escrevi, mas me entranho no texto de uma forma que ele realmente sai de mim, compreende? Ele é minha vivência, por mais que imaginada, sempre vivida. Claro. Isso, provavelmente explica as minhas vontades e as minhas frases reprimidas que não se esvaem na presença de vida. O poeta se manteve – aproveite a fase qual disse, no início dessa conversa, que o senhor se encontra. A escrita vem depois, naturalmente. Quando a gente tem o que contar, independente se tem alguém pra saber.

Agradeço suas palavras, caro poeta. A resenha já se faz matéria. Construída, alicerçada. Conto-lhe do que não conseguia contar. O ato, por fazer, falando do fazer… A forma metalingüística, metafórica e com demais figuras de linguagem, se aceita como texto redigido. Com começo meio e final.

Ao poeta, um grande abraço. Voltarei se me conceder outras prosas. Quando quiser! É sempre um prazer, cortesia retribuída ao caro amigo.

Nota: Diálogo adaptado. Participação  de Fernando Marinho.

Luiz Phelipe Fernandes.

“Hão de ter justificativas… Hão de ter pessoas para tais…”

  Há de haver dor, há de haver brigas e tormentos. Há de haver queixas, frustrações e rancores. Há de haver dias muitos frios, dias muito quentes e dias mórbidos. Haverá dias de sorrisos e dias de lágrimas; dias de morte. Faltarão dias, sobrará tédio. Faltarão abraços e sobrarão tapas.

  Há de haver a dúvida, o receio… Há de haver uma vontade má, um sentimento de fuga. Há de haver a sensação de decepção, de ilusão, de tortura. Há de haver dificuldades quase que insuperáveis; tristezas quase irremediáveis e dores, muitas dores… Mas não importa. Farão as pazes outra vez; vão pedir desculpas. Beijar-se-ão outra vez e fugirão da culpa. Há quem diga que quando se ama de verdade, a chama sempre se reacende e um abraço apertado sempre nos remete para onde tudo começou.

Ilusão Póstuma

Ele disse que estava cansado de ser ultrajado

e fazer de trapo até o que não era seu.

Ele resolveu criar o próprio buraco, sem entender ao certo, qual o dom que Deus lhe deu.

Ele rezou para estar errado e ser ele o culpado, não aquele que o fez

Ele rezou, para todos os lados, cansado da dúvida,

Ou sua voz era surda, ou o aquele que cria se desfez em meio à falta de esperança dos que habitam por aqui.

 

Ou morreria ao acaso, ou faria pouco caso de ti

Ou a vida em si era o descaso, ou faltavam-lhe motivos para sorrir.

Se o sofrer fosse diferente, se o amor fosse resistente, se tivesse alguém para contar, talvez não estivesse cansado, nem desamparado, buscando a forma mais covarde de se livrar da dor.

Ele desistiu dos remédios, já que nunca os conheceu, e da única coisa que se alimenta é o rancor…

 

Ninguém entende, mas ele é um ser, de tão latente, que por anos esperou a oportunidade de voar!

Ele é um pássaro frustrado, que ganhou asas, mas nunca abriram a gaiola para que pudesse mostrar.

Ele tinha as notas, mas os instrumentos musicais não quiseram lhe emprestar

Ele tinha a vontade, mas impediram que ele a usasse, fazendo-o desacreditar…

 

Ele queria se ausentar, pois suas forçar se fragmentam e seus sonhos sangram.

Ele já quis levantar, no dia que teve pernas e acreditou em anjos… Mas hoje ele está assim, aceitando os corredores íntimos, os cadeados ínfimos, a vontade de não ser, o desejo de não ter… Sim, o cheiro de morte fez ressurgir os sentidos adormecidos.

Esse vazio ele conhece,

Ele entende, apesar de que não sabe explicar.

Essa sensação pertinente, de noite que não acorda,

De Sol que não volta… Alguém está pronto para partir, alguém está pronto para sentir o que nunca mais acontecerá…

 

Ninguém estará preparado quando o tal “dia certo” chegar,

Mas eles disseram eloquentes: “escrito está, em algum lugar, que de um modo ou de outro,

Tudo faz parte”.

Nada é milagre, e o mundo é um reality show sem platéia.

 

…Ele sabe que a vida é mesmo uma navalha, chorar faz parte mas, assim como a arte, as lágrimas foram impedidas de cantar.

O fio vai se romper não sobrará ninguém para limpar… Nem as lembranças esquecidas, nem desejos adormecidos, nem o anseio em voltar atrás.

O que podia fazer já foi feito,

Viver é que foi desfeito. As luzes se apagaram por lá.

Ele se foi como um rei sem um reino

Um mar sem água.

Como uma mãe sem poder amamentar.

 

Tem coisas que não se escolhem

Morrer, para ele, era mais do que se libertar.

Esteja preparado. A maioria das pessoas não escolhe,

contudo, amados ou não, todos morrem.  

Na ausência de espelho, não teremos a quem culpar.

Contento-me com a estupidez

Ir para ficar sentado; chamar para ficar calado; sorrir para não ser notado; fingir-se contente com o descaso; ausentar-se do ânimo para o futuro, abster-se à diversão, às festas, ao tumulto… Seriedade sem motivo; permanente olhar inibido; pouco caso com casos alheios… Um motivo para tudo; infinda racionalidade; fazer tolos os seus, permitir-se ao cansaço. Adiar o abraço; poupar os comentários; limitar as ocasiões. Mudar de ideia; mudar de vida; abandonar as roupas… Mudar as músicas, mudar a trilha; fazer-se em ti uma “outra”…  Maldita maturidade.

Seria medo?

  Enquanto muitos “lutam” sem objetivo a fim de adquirir tantas coisas das quais não necessitam, eu só queria controlar a eternidade. Claro que a palavra “só”, nesse caso, é um tanto quanto incoerente, já que a dimensão do que eu citei é imensurável, mas para mim, ainda parece pouca coisa. Eu não queria viver para sempre, mas tornar eterno minhas sensações… Palavras que fizeram a diferença, um dia frio que me fez sorrir, aquele abraço do qual os meus braços se recusaram a esquecer. Eu queria manter vivo, aquele que se foi sem me dar muitas chances de dizer tchau, ou de contar-lhe o quanto era importante para mim, poupando assim, minhas lágrimas. Eu queria ter para sempre, os que vivos ainda estão, só para eu desfrutar da eterna companhia. Gostaria de dar o dom da eternidade às palavras que me enchem a alma, oriundas daquela que muito me faz sorrir e chorar de alegria, para que assim, essas palavras não percam o sentido; o intuito não perca a direção e dizer por dizer não passe a não ter mais sentido… Tornar sólida a memória para que ela não permita que eu desabe na lástima de ser esquecido sem esquecer. Quero eternizar o sentimento que me é retribuído, já que o meu se fez perpétuo sem eu ter a dignidade de escolher, a fim de juntos compartilharmos do “sempre”.

Se posso ou se devo, não sei, apenas quero.

Exposição sobre Galileu Galilei no Vaticano?  Presidente dos EUA ganhando o Prêmio Nobel da Paz?  Rubinho “disputando” título?  …É, acho que esse ano dá para mandar carta para o Papai Noel, esperar a Fada dos Dentes e ainda ver o Sarney “emancipar” o Maranhão.

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“Profetizando a estupidez”: Metáfora II

Francamente, sem desperdiçar lágrimas, não merecem nem mesmo “auto-piedade”. “Merecer” é uma palavra sem conceito, todo mérito é relativo e todo fim tem direito a desvio. O banquete foi posto à mesa, há pouco mais de 500 anos: viva a carnificina! Macabros somos nós, que nos digerimos dia a dia. Nós, os terríveis. Façamos medo a eles, os mortos. Pois o nosso medo é só do presente já que a expectativa não cumpriu a visita e a utopia da vez é a do “futuro próximo”. Palavras não terão força, sorrisos serão dentes expostos, as ações perderão todo significado e os sentidos, por si só, constantes. Quando esse dia chegar, teremos cérebro humano como prato principal, já que o coração tem alguma utilidade.

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Uma reflexão; dá-lhe “república”.

E lá vão eles…

Homens de “pele” clara que, do alto, avistam o morro. Ajustam a gravata e distribuem sorrisos não retribuídos. Sorrisos de descaso, de homens do acaso, pais da incoerência moral. A sátira da incompetência.  São homens de alto poder aquisitivo, que fazem da miséria alheia um prato saboroso e sugestivo, onde é consumido cru, o coração e a dignidade do pobre. Homens de Estado único, de lar “consolidado” e passagens aéreas incertas… De bolso cheio e mente vazia. De arrogância e demagoga “simpatia”. De má fé braço dada à eloquência da maldade, aquela que subordina aqueles que caminham a sós. Aos sonhos da desigualdade nas mãos de um “infrator”.

  Homens de tamanha incoerência, de descaso com a regência, que planejam nos afogar no seu mar particular, vulgo “mar de lamas”. Nós ficamos assustados, demoramos conseguir entender que estava tudo planejado e que eles se passavam por nossos representantes… O pior, é que a culpa é nossa, da nossa impotência e da nossa tolerância.

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“Metautilizando” a Metalinguagem: Metáfora I

Gostaria de falar da banalização do amor, mas há um problema, pois falar sobre a banalização do amor já está banalizado. Queria falar então do quanto está saturado escrever sobre a dor, mas falar do “falar da dor” é que está saturado. Eu queria, mais uma vez, dizer que somos um clichê, mas não há clichê maior do que “clichê” pronunciar. Eu queria dizer que melancolia é um tema batido, mas o tal dizer faz-se um como um tema do passado… Eu queria dizer que nossos conceitos sobre política, ainda não ultrapassam o senso comum, mas é já um grande senso comum isso ser notado (e negligenciado).  Eu tentei dizer que adquirir cultura é um costume secular, mas insistir nessa ideia é ser ultrapassado. Nós somos os “sabe tudo”, mas nunca vi tanto conhecimento assim, inerte, apático, vedado.

Quando o obsoleto se moderniza, percebo que o moderno torna-se um fracasso. Quando o fracasso sobressai à “mídia”, vem o jovem no intuito de “assumir-se revoltado”. Quando a revolta assume algum compromisso, a alienação se encarrega de nos deixar cansados (antes de começar).

Era iminente; GERAÇÃO 90!

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