Marilena Chauí: expoente filosófico ou espetáculo de museologia?

As contradições de uma pensadora, entre o espetáculo dos horrores de uma cognição vazia.

“A classe média é fascista, arrogante e ignorante”. Este jargão vendido pela dona Chauí me enfastia. Veja bem, ela define que quem detém os meios de produção e as riquezas, são capitalistas; quem vende a sua mão de obra, é operário; e a classe média (a qual ela atinge deliberadamente) não é nem um, nem outro, apenas aquela que se tornou mais “abonada” (expressão da autora) no meio do caminho sinuoso desta sociedade segmentada. Confesso que a princípio fiquei confuso: Seriam os herdeiros (não trabalham, não produzem e ganharam dinheiro)? Omiti, evidentemente, a minha ignorância, até o dia em que eu saísse dela e compreendesse a aclamada filósofa.

A autora defende que a referida classe detém de características como o individualismo, competição, consumismo… Ouso (já que estou a milhares longe do gabarito da renomada autora) discordar. Essas características são das sociedades modernas, das grandes cidades, da ascensão do capital em escala global etc. Não digo que não são um problema, apenas que não são exclusivas. O discurso acaba, em tese, sendo um pouco hipócrita, já que, como ela sustenta que é uma classe com características diferentes sobre um modelo pronto (clássico), ela concorda com a perspectiva econômica que construiu a nivelação das classes, assim, tornar-se classe média (nesse ponto de vista), é galgar uma melhor condição social; é a superação de condições financeiras inferiores… Quiçá, permitir o operário de alcançar o seu sonho: Ser ele o detentor dos meios de produção.

Quando o pobre luta por espaço, luta por emergir socialmente, o objeto acaba sendo se tornar, quem sabe, a classe média de amanhã. Por conseguinte, ela ataca a nova característica desta classe, que é o fato de se encontrar em uma situação financeira mais promissora que ontem. Aqui há o perigo de se suscitar que as classes mantenham status quo ante, ou seja, essa filosofia acaba se arriscando a fomentar uma batalha contra o progresso e instiga um ideal quase como de um comunismo nos moldes mais primitivos. O que ela sugere? Retrocederem ao escambo (em contrapartida ao avanço do poder de compra)? Viverem (os pobres que não podem emergir) em uma eterna vida cooperativa e, consequentemente, isolada de um sistema autoimune? Marilena Chauí, meus caros, não é classe média vale lembrar, é rica.

Segundo ela, a referida classe média é a que ocupa “posição intermediária da pequena propriedade comercial, agrícola e das profissões liberais”, aquela que, ainda lhe parafraseando, sonha ser a burguesia detentora dos meios de produção social e teme ser classe trabalhadora. Não me venham dizer que eu não entendi a definição classista que ela criou, já que as incoerências são implícitas, pois como classe média e trabalhadora são definições objetivamente díspares?  Com base em que não há uma nova sociedade trabalhadora e em ascensão? …E então o que define a nova classe social emergente, porém “antiprodutiva”? Mas isso não importa, pois é a criadora destas reflexões que não consegue respondê-las, não seríamos capazes.

Eventualmente eu paro para ouvi-la, para ler suas entrevistas, para escutar trechos de suas palestras e não consigo sair da mesma impressão: a de que toda reflexão (nesse sentido) que ela levanta, se resume num emaranhado de repetições de ideias contraproducentes na tentativa paradoxal de refletir(?) através da agressão. Eu não duvido da sua inteligência (obviamente), duvido é da relevância, tanto das suas ideias, como da existência dos seus debates, para o planeta.

É uma pessoa generalista, que vive estancada no tempo. A sociedade que ela utiliza como parâmetro de suas análises – que possuem como referência ela mesma! Quem é petulante, afinal? –, é da década de 60, enquanto seu discurso é reproduzido hoje (2013!!). No mínimo, a grande(?) expoente da filosofia de esquerda(?), é anacrônica.  Dona de uma retórica grosseira e pouco pragmática, ela consegue ser uma paródia, às avessas, do Olavo de Carvalho. Se a “nova classe média” é arrogante, eu não sei, mas a filósofa que a define assim, é com certeza.

A classe média que essa senhora chama de conservadora é expoente das grandes novas perspectivas da vida em sociedade. Inaugurou novos conceitos de família, colocou em pauta os tabus nacionais, discutiu a liberdade individual, o direito da mulher (sim! As grandes idealizadoras de movimentos feministas são classe média)…Fascista e arrogante seriam as definições ideais?

Sabe aquela senhorinha rabugenta que foi tirada do interior e trazida a muito custo para a cidade grande? Pois bem, imagine-a agora com doutorado em filosofia, é como eu a identifico.  Não me incomodo com as suas verborragias, mas com quem as propaga. “Conheça melhor! Leia seus livros! Ela é inspiradora!”, coisas que li outro dia. Eu posso estar equivocado, posso vir a pensar diferente no futuro, isso não é um problema, vivemos em um constante aperfeiçoamento e se isso realmente vir a acontecer, garanto que farei um texto apenas para me retificar, mas por ora, o melhor que essa senhora faz é continuar, quietinha, na idade da pedra.

– O famoso e aclamado vídeo em uma das vezes em que ela aponta a “Maldição da classe média” pode ser assistido aqui.

 

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