O coletivo que fomenta o protagonismo dos discriminadores

Por trás de Marco Feliciano existe um coletivo em demasia de opressores silenciosos. É inegável que a sua eleição surte consequências sociais negativas. Qualquer referência a direitos humanos, naquele espaço, será fragilizada, é uma ironia lamentável. Sem contar que parte do progresso alcançado pela comissão até hoje, será desconsiderado, além de muitos outros malefícios que tendem a surgir. Mas a sua figura, colocada em visibilidade, deixa de ilustrar aqueles que o apoiam. Tê-lo como protagonista, não pode servir para tapar o pano de fundo que são aqueles que concordam com suas ideias, mas passam despercebidos, se diluem em compartilhamento, em rede social, de nota de repúdio. Gente como Jair Bolsonaro, Silas Malafaia e Cia, serve para fazermos uma autocrítica generalizada. Se eles alcançaram o posto em que se encontram, tiveram apoio, seja um voto, declarado; seja uma omissão.

Os opressores silenciosos são o verdadeiro mal, pois não são notados, não são coibidos… Geralmente se camuflam numa frase do tipo “não é que eu seja preconceituoso, mas…”, e a gente concorda, chama de “liberdade de expressão”, chama de “cada um pensa de um jeito”, chama de tanta coisa eufêmica para evitar o aspecto de acusação e o conflito, e acabamos colhendo frutos difíceis de conter. Quando dizemos que um Deputado antissemita é perigoso, porque tem poder em mãos, mas um profissional liberal qualquer, com as mesmas ideias enrustidas, não é, migramos da condição de reféns para a de coniventes, porque criamos para eles (os “silenciosos”) uma zona de conforto que permite que o preconceito e a intolerância se perpetuem (enquanto o assunto sobre o Presidente da Comissão não dura duas semanas). Eu diria que o Deputado a que esse texto se refere cumpre uma função social (aberrante, não?), pois a sua evidência permite uma discussão (ainda que temporária) sobre premissas fundamentais que sofreram uma agressão, mas que geralmente passariam despercebidas – respeito, dignidade, igualdade etc.

Gente como Marco Feliciano nos faz lembrar que a segregação ainda derrama sangue e que o âmago desse problema não está no Parlamento, mas dentro de casa, na faculdade, no trabalho… Os episódios deixam de ser trágicos, quando a gente deixa de lembrar que eles existiram. Consecutivamente, deixa de ser importante se a gente não está na pele de quem vai sentir. Quando justificamos a nossa omissão com “diplomacia”, incorremos no risco de não sermos distinguidos dos opressores. É como na ilustração: O Deputado faz o preconceito parecer algo ruim, mas o seu colega de classe (por exemplo), faz parecer normal. É contra o primeiro que você reage, mas foi pelo apoio do segundo que o primeiro triunfou. Não suscito um confronto entre defensores da igualdade contra discriminadores, apenas chamo atenção para que assumamos a responsabilidade de saber lidar com a situação no dia-a-dia, evitando a banalização e reconhecendo que a mudança não é congressista, mas sim voltada à cultura! O processo é gradual, mas se amplifica se nos destinarmos, exaustivamente, como parte desse todo.

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