Somos o público pagante do fracasso

Escrevi, noutro espaço, sobre a morte do Osama Bin Landen. Uma das notícias mais assustadoras que já vi na TV. Lembro que no dia, o fato das pessoas reagirem com senso de vitória a um assassinato, era o mais indignante. Vitória do que? Contra quem? Contra a democracia. Essa sim. O mundo foi conivente com uma absurda manifestação de arbitrariedade e onipotência, deixando claro que a “Lei” não se aplica àquele que a impõe. Os EUA, isolados do mundo e de qualquer norma universal de ética, moral, humanidade etc., executou Osama Bin Laden, dentro de casa, num país estrangeiro, se sobrepondo até mesmo a questões de soberania dos povos.  Mas todo mundo ligou a TV, sorriu, fez piada e aplaudiu de pé ao retrocesso. É montar um exército e caçar, como um texano da década de 80, com sangue nos dentes e uma espingarda nas mãos… E nesses momentos, o planeta se desfaz de tudo aquilo que com muito custo pode se chamar de “evolução”.

Mas quem achou que parava por aí? Começou tem séculos, não há previsão para fim. Não enquanto não mudarmos nossas posturas frente a demagogias, a liberdades ilusórias, falso progresso, falsa justiça…  O que dizer de Muamar Kadafi? Eu diria que um comerciante, oportunista (como a maioria de nós). Um Tirano? Sem dúvidas. Mas tem desses no Teerã, em Pequim ou na Coréia do Norte. As circunstâncias não se encontram por aí. Kadafi comercializava petróleo com inimigos, já que pela analogia da submissão, os inimigos das grandes potências (inimigos dos EUA) são inimigos de todos, não é mesmo? É essa ideia que é vendida e muito bem comprada.

Atuar na Líbia foi simples, as centenas de rebeldes ignorantes e radicalistas são, pela cegueira cognitiva, alvos fáceis. Manipuláveis, moldáveis e úteis (a “eles”). Era só direcionar a proposta, disseminar as “informações” e esperar por uma guerra civil – alimentada, às escuras, pela ONU. Já a OTAN, é digna de muitos atributos razoavelmente questionáveis. Eu diria que são os novos Cavaleiros Templários! Lembram-se da cruz armada? Levar a fé pela espada! Mas a OTAN (com aval da ONU)é mais audaciosa, leva fogo, tira sangue e compra a fé. Portas abertas para os EUA comercializar petróleo com mais “liberdade”. É só destacarmos o quão curto foi o período do início das manifestações para a primeira autorização de invasão estrangeira para “conter” a situação. Bom é que a “autorização” para invadir vem de quem invade! Seria a Líbia politicamente indefesa? A caridade da sociedade internacional é assim, a míssil. Quantos civis não morreram naqueles ataques, apenas para que a ONU pudesse executar mais um inimigo inventado? Orgulhemo-nos, todos contribuímos com isso. Matamos crianças, mulheres grávidas, idosos…  Mais uma vez eu vivencio a vergonha da Lei de Talião! O ditador foi tratado a “olho-por-olho”, a diferença é que a atuação do Kadafi, a gente chamava de tirania, mas quando feito pela OTAN, chamamos de  justiça.

E os assassinatos continuam, e vindo da grande ordem econômica mundial é bonito, é louvável, tem um propósito! Obama, Sarkozy e David Cameron, uma guerra própria, nas entrelinhas, sem ser declarada, recepcionada pelo texto da União das Nações e alvoroçada pela sociedade corrompida, sanguinária e desinformada. Vão matar quem aqui no Brasil? Seria pela Amazônia? Pelos aquíferos? Pelo falacioso pré-sal? A ONU, os EUA, as hipocrisias, as espadas e o apoio das próprias vítimas. Somos refém daquilo que cultuamos. A paz armada é institucionalizada, tem endereço e tradutor. O poder é medieval e enquanto aplaudirmos a ignorância, nos sucumbirmos à alienação e permitirmos o retrocesso, a política internacional será regida por uma exposição de cabeças como troféus. Bush DECLAROU guerra, e quando o fez, foi consentido pelo seu parlamento, já Obama… Ainda há quem diferencie, por exemplo, Democratas e Republicanos ou Conservadores da França e conservadores do Reino Unido… É só uma questão de ordem, nomenclatura e publicidade.

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