“Somos feito da mesma matéria que nossos sonhos”*

Em parte são as lembranças. São as vontades guardadas pedindo pra tomar forma. É o peito que arde, fibrilando. É o olho que umedeci  é a mão que treme, os joelhos que se dobram e as lágrimas, por fim, descem. Molhando a face e escancarando a saudade… Ou a esperança, ou o medo, ou quem sabe a glória. Não se chora apenas pela derrota, mas também por se ter sonhos, dos quais acredita ou não, dois possíveis e dos impossíveis. Realizáveis ou utopias. Dos quais, a própria existência se faz por valer de todos os sentidos, fazendo dum aglomerado de fantasia um momento verossímil. Faço valer das célebres palavras de Ruy Barbosa; “Não nos será claro que, com os nossos descendentes e sobreviventes, com os nossos sucessores e pósteros, vive ele de fé, esperança e sonho?”

Daqueles que fazem da esperança uma verdade absoluta, para que discretamente ela se valha da persistência. E das verdades, um motivo que explique. Dos motivos, um sentido que justifique. Dos sentidos, um único: viver. Na simplicidade das vontades, quando por elas ainda lutam. Na humildade das conquistas, quando a elas alcançam… Na coragem e no respeito, quando padecem. Eis um homem. Eis o que vive dos sonhos.

E quando tudo se perde, se desfaz? Esse é o momento em que o desespero nos apossa, quando o medo é mais forte, a insegurança fala mais alto. Por mais que o cérebro já não responda, o coração ensandecido nos inunda de sangue, percorre o corpo e nos enche de vida. Eis a suficiência, da existência pulsante da vontade involuntária de continuar, eternamente, enquanto essa “eternidade” durar… Os sonhos se renovam. O ar mantém sua trajetória. Inspira-se, espira-se, respira-se. “Estou vivo”, basta saber.

No dia em que se deparar com a dádiva da abundância sorte, contenha-se. Poupe as palavras e a euforia. Contido mantenha sua integridade e sua consciência de que os motivos para que tal situação pudesse se concretizar, vão muito além de “fez por merecer”,  a vitória em si é mais palpável que a vontade de tê-la. Ele sabia, ele podia crer, ele é mais do que um homem de sorte. É um homem de sonhos. Os músculos da face se contraem a fim de permitir um tão esperado sorriso. A vida é uma luta, a gente sabe o quanto apanha e entra na expectativa de sair vencendo. Mas que sempre, sempre tenhamos sonhos, pois é em face deles que se vale a pena tentar.

*Citação do título: William Shakespeare

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