A caricatura personificada, Lula.

Nunca vi incompetência se glorificar da maneira como vi na era Lula (porque não há como resumi-lo a “governo”). O ex-presidente é intocável. Já era durante o seu governo, parafraseando Olavo de Carvalho, o presidente mais poupado da história… Qualidade incomum para um político e ele conseguiu, imagine depois, como “ex-político”! Luiz Inácio subiu de vez no pedestal, é o papa da política brasileira, se há um novo ministro empossado, especula-se se existiu o dedo de Lula em sua nomeação. Se algum Ministro é demitido, tabloides apontam que não era alguém que ele apoiava…  Para ele, por ele e aos seus olhos.

Nem preciso me referir à sua lotada agenda de palestras. Diversas empresas privadas querendo bancar o Pernambucano para falar e falar… Afinal, todos sabem que isso ele faz com maestria. A notícia da vez (e não seria novidade para ninguém) é que Lula articula a escolha dos candidatos de 2012. Os nomes que figurarem na lista passarão por Lula e dentro do PT (nesse caso excluindo, em tese, as alianças) só sobressaem quem ele autoriza, caso contrário ele “tira de cena”, como fez no início do seu primeiro mandato. Um verdadeiro chefe. Líder de partido, líder de Estado… Líder.

Nunca fez uma faculdade de publicidade, mas é PhD em marketing. Com muito talento, só ele consegue, usando um terno Armani, falar da fome e da miséria como quem vive isso – embora seja possível que já tenha vivido, mas a discussão é outra, essa relação íntima é questão de “atuação”, não de experiência. Nunca precisou elaborar uma redação, mas “disserta” oralmente por horas. Que sejam os jargões e a verborragia de sempre, que já se consagram como um jingle (vendendo a si mesmo) assim que ele abre a boca, mas consegue. Um figurão, típico de personagem pitoresco. Um pouco literário e cômico, na mistura de João Grilo de “O Auto da Compadecida” e um magnata, do tipo John Maynard Keynes, a par de um modelo “fordista” de política social, encorajado pelo oportunismo dos mecanismos de influência, numa autoconfiança frustrada de quem acredita que não haverá consequências. Complexidade novelística de uma mistura paradoxal de personalidades.

Lula é uma caricatura viva, um personagem ambulante e não podemos deixar de destacar: Um homem muito rico. “O primeiro presidente da classe operária”, concordo. Classe da qual ele não faz parte há quase 40 décadas, é mais do que um mérito é, desde o começo e até hoje, um mecanismo da qual colhe frutos. “O primeiro pobre a chegar ao cargo máximo do executivo”, fácil apontar que a pobreza é algo do qual nem mesmo ele se lembra. Então poupemos o “meritismo” forjado. Lula ainda pode escolher a próprio cunho os novos presidentes da república. Na ocasião uma mulher, a primeira na história do país. Uma mulher que nunca tinha sido eleita a absolutamente nada. O Luiz endeusou-se.

Lula não sai de cena, não se aposenta. É o Rei Momo no país dos bobos, porque haveria de abrir mão disso? Imagino-o na figura de Júlio César, exercendo influência e domínio enquanto grita, “ao povo, pão e circo!”. Arrisco compará-lo a Lênin, que acabou com milhares de vidas enquanto voltava aos “palanques” russos parar pregar o comunismo e sugerir: um paço para trás a fim de no futuro, dar dois para frente… Propondo renúncias ideológicas e mascarando sacrifícios humanos.

Mas Lula não é tão mau assim, ele é da “síndrome Robin Hood”, tirar da máquina estatal e dar de esmola aos pobres. A Dilma que resolva as pendências infindas dos cofres públicos que depois ele volta e faz tudo outra vez, disseminando “poder”. E os populares perguntam, “será se Lula volta?”.  Para onde, para Pernambuco? Porque do Governo ele nunca saiu.

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