Sem imoralidade não se faz política…

    A solução agora é parar de ler a página de política dos jornais. Não faz mais sentido, é de uma grosseria excessiva e consumada. A honestidade, pelo visto, tornaria o sistema falível demais. Nesse diapasão é fácil concluir, a corrupção é que sustenta a política brasileira. Sem ela, o sistema simplesmente vai ruir. E o atual governo trabalha forte para ratificar essa máxima.

   Essa semana noticiou-se que o PT manifesta intenção de vetar Roberto Gurgel para outro mandato como Procurador Geral da República, a fim de se “vingar” das denúncias contra o mensalão. Um partido politico, assumidamente negar a efetivação da justiça e mais, tentar coibir e punir aqueles que o fazem, significa o que? O Gurgel não é um herói, nenhum salvador de Gotham City, mas cumpre o encargo da função (independente se porventura beneficia alguém)! Denunciar é o que faz um procurador! E claro, sejamos justos, esse tipo de covardia assumida não é um “antiético” que se restringe ao PT, embora este figure mais vezes no rol das improbidades.

   “Dilma promete vaga no TCU para deter CPI dos Transportes” (Diretório Estadão, 04 de Agosto), ainda não consigo entender como absorvemos esse tipo de notícia com tanta naturalidade. Trata-se apenas do Ministério mais denunciado do ano, que não pode passar por um inquérito, porque “não pega bem”. Nosso sistema é declaradamente malicioso, com estratégias chantagistas, corruptíveis e imorais. O presidente da República pauta-se na capacidade, nos feitos e no gabarito de um indivíduo para nomeá-lo a, por exemplo, um Tribunal de Contas. Não vivo em meio a ilusões, ciente estamos de que a efetivação desses “requisitos” de análise de “capacidade” é fracassada, mas daí converter em favorecimento declarado? Aquela situação implícita, que a gente finge que não vê, é menos repugnante. Doar cargo do órgão que fiscaliza toda a prestação de contas do país como uma relação de escambo qualquer, assim que se atua? Fazer das cadeiras dos Tribunais moeda de troca e chamar isso de estratégia política? No mínimo uma grosseria. Sem levar em consideração o motivo que fundamenta essa “negociação”: Não formação de uma CPI. É pedir para os políticos que têm o dever imediato de exigir e fiscalizar a administração pública, para não o fazerem! O problema para a Dilma e para tantos outros governantes que figuraram nessa esbórnia é, “não importa se existe a sujeira, isso todo mundo sabe, a ideia é não fazê-la aparecer…”, daí nada de CPIs, nada de Tribunais e nada de Procurador que faz denúncia.

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