Arquivo mensal: agosto 2011

A caricatura personificada, Lula.

Nunca vi incompetência se glorificar da maneira como vi na era Lula (porque não há como resumi-lo a “governo”). O ex-presidente é intocável. Já era durante o seu governo, parafraseando Olavo de Carvalho, o presidente mais poupado da história… Qualidade incomum para um político e ele conseguiu, imagine depois, como “ex-político”! Luiz Inácio subiu de vez no pedestal, é o papa da política brasileira, se há um novo ministro empossado, especula-se se existiu o dedo de Lula em sua nomeação. Se algum Ministro é demitido, tabloides apontam que não era alguém que ele apoiava…  Para ele, por ele e aos seus olhos.

Nem preciso me referir à sua lotada agenda de palestras. Diversas empresas privadas querendo bancar o Pernambucano para falar e falar… Afinal, todos sabem que isso ele faz com maestria. A notícia da vez (e não seria novidade para ninguém) é que Lula articula a escolha dos candidatos de 2012. Os nomes que figurarem na lista passarão por Lula e dentro do PT (nesse caso excluindo, em tese, as alianças) só sobressaem quem ele autoriza, caso contrário ele “tira de cena”, como fez no início do seu primeiro mandato. Um verdadeiro chefe. Líder de partido, líder de Estado… Líder.

Nunca fez uma faculdade de publicidade, mas é PhD em marketing. Com muito talento, só ele consegue, usando um terno Armani, falar da fome e da miséria como quem vive isso – embora seja possível que já tenha vivido, mas a discussão é outra, essa relação íntima é questão de “atuação”, não de experiência. Nunca precisou elaborar uma redação, mas “disserta” oralmente por horas. Que sejam os jargões e a verborragia de sempre, que já se consagram como um jingle (vendendo a si mesmo) assim que ele abre a boca, mas consegue. Um figurão, típico de personagem pitoresco. Um pouco literário e cômico, na mistura de João Grilo de “O Auto da Compadecida” e um magnata, do tipo John Maynard Keynes, a par de um modelo “fordista” de política social, encorajado pelo oportunismo dos mecanismos de influência, numa autoconfiança frustrada de quem acredita que não haverá consequências. Complexidade novelística de uma mistura paradoxal de personalidades.

Lula é uma caricatura viva, um personagem ambulante e não podemos deixar de destacar: Um homem muito rico. “O primeiro presidente da classe operária”, concordo. Classe da qual ele não faz parte há quase 40 décadas, é mais do que um mérito é, desde o começo e até hoje, um mecanismo da qual colhe frutos. “O primeiro pobre a chegar ao cargo máximo do executivo”, fácil apontar que a pobreza é algo do qual nem mesmo ele se lembra. Então poupemos o “meritismo” forjado. Lula ainda pode escolher a próprio cunho os novos presidentes da república. Na ocasião uma mulher, a primeira na história do país. Uma mulher que nunca tinha sido eleita a absolutamente nada. O Luiz endeusou-se.

Lula não sai de cena, não se aposenta. É o Rei Momo no país dos bobos, porque haveria de abrir mão disso? Imagino-o na figura de Júlio César, exercendo influência e domínio enquanto grita, “ao povo, pão e circo!”. Arrisco compará-lo a Lênin, que acabou com milhares de vidas enquanto voltava aos “palanques” russos parar pregar o comunismo e sugerir: um paço para trás a fim de no futuro, dar dois para frente… Propondo renúncias ideológicas e mascarando sacrifícios humanos.

Mas Lula não é tão mau assim, ele é da “síndrome Robin Hood”, tirar da máquina estatal e dar de esmola aos pobres. A Dilma que resolva as pendências infindas dos cofres públicos que depois ele volta e faz tudo outra vez, disseminando “poder”. E os populares perguntam, “será se Lula volta?”.  Para onde, para Pernambuco? Porque do Governo ele nunca saiu.

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Sem imoralidade não se faz política…

    A solução agora é parar de ler a página de política dos jornais. Não faz mais sentido, é de uma grosseria excessiva e consumada. A honestidade, pelo visto, tornaria o sistema falível demais. Nesse diapasão é fácil concluir, a corrupção é que sustenta a política brasileira. Sem ela, o sistema simplesmente vai ruir. E o atual governo trabalha forte para ratificar essa máxima.

   Essa semana noticiou-se que o PT manifesta intenção de vetar Roberto Gurgel para outro mandato como Procurador Geral da República, a fim de se “vingar” das denúncias contra o mensalão. Um partido politico, assumidamente negar a efetivação da justiça e mais, tentar coibir e punir aqueles que o fazem, significa o que? O Gurgel não é um herói, nenhum salvador de Gotham City, mas cumpre o encargo da função (independente se porventura beneficia alguém)! Denunciar é o que faz um procurador! E claro, sejamos justos, esse tipo de covardia assumida não é um “antiético” que se restringe ao PT, embora este figure mais vezes no rol das improbidades.

   “Dilma promete vaga no TCU para deter CPI dos Transportes” (Diretório Estadão, 04 de Agosto), ainda não consigo entender como absorvemos esse tipo de notícia com tanta naturalidade. Trata-se apenas do Ministério mais denunciado do ano, que não pode passar por um inquérito, porque “não pega bem”. Nosso sistema é declaradamente malicioso, com estratégias chantagistas, corruptíveis e imorais. O presidente da República pauta-se na capacidade, nos feitos e no gabarito de um indivíduo para nomeá-lo a, por exemplo, um Tribunal de Contas. Não vivo em meio a ilusões, ciente estamos de que a efetivação desses “requisitos” de análise de “capacidade” é fracassada, mas daí converter em favorecimento declarado? Aquela situação implícita, que a gente finge que não vê, é menos repugnante. Doar cargo do órgão que fiscaliza toda a prestação de contas do país como uma relação de escambo qualquer, assim que se atua? Fazer das cadeiras dos Tribunais moeda de troca e chamar isso de estratégia política? No mínimo uma grosseria. Sem levar em consideração o motivo que fundamenta essa “negociação”: Não formação de uma CPI. É pedir para os políticos que têm o dever imediato de exigir e fiscalizar a administração pública, para não o fazerem! O problema para a Dilma e para tantos outros governantes que figuraram nessa esbórnia é, “não importa se existe a sujeira, isso todo mundo sabe, a ideia é não fazê-la aparecer…”, daí nada de CPIs, nada de Tribunais e nada de Procurador que faz denúncia.

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