Paráfrase de Fernandes com Marinho e vice-versa

Ando sendo um escritor medíocre. Tão quanto a frase medíocre, qual medíocre me intitulo. Falta-me vida – disse. Falta vida nas minhas palavras. Tenho essa certeza quando leio aos meus ídolos, aos meus amigos, àqueles quais com a alma escrevem (assim acredito). O contrário, receio – respondeu o poeta. Tens-lhe muita vida, por isso não escreves. Eu, quando essa tinha, queria viver. Escrever, apenas quando aquela não puder mais, ou não mais possível for o meu usufruto. Faz todo um sentido, claro, como não?! Mas como explicar essa vontade que me corrói em vida. Teria, eu, duas delas? Socorra-me, caro poeta. Ele o fez – Enquanto pude viver também queria me subordinar à escrita. Mas temos que aprender que as coisas se pautam em “momentos”. Vivemos para transformar a coisa vivida, no conseguinte, em poesia. Não se pode escrever acerca do que não se conhece. É preciso se jogar na vida antes de transformá-la em linhas. Compreendo meu caro. Mas o entendimento é até certa medida. Sinto que fazemos jus ao brocardo de que as palavras refletem o estado de espírito daquele que as possui. Ou é momento ou acúmulo de experiência – deduzi. Cautela, cautela. Fiquemos com “experiências”. Não digo que vivi tudo que escrevi, mas me entranho no texto de uma forma que ele realmente sai de mim, compreende? Ele é minha vivência, por mais que imaginada, sempre vivida. Claro. Isso, provavelmente explica as minhas vontades e as minhas frases reprimidas que não se esvaem na presença de vida. O poeta se manteve – aproveite a fase qual disse, no início dessa conversa, que o senhor se encontra. A escrita vem depois, naturalmente. Quando a gente tem o que contar, independente se tem alguém pra saber.

Agradeço suas palavras, caro poeta. A resenha já se faz matéria. Construída, alicerçada. Conto-lhe do que não conseguia contar. O ato, por fazer, falando do fazer… A forma metalingüística, metafórica e com demais figuras de linguagem, se aceita como texto redigido. Com começo meio e final.

Ao poeta, um grande abraço. Voltarei se me conceder outras prosas. Quando quiser! É sempre um prazer, cortesia retribuída ao caro amigo.

Nota: Diálogo adaptado. Participação  de Fernando Marinho.

Luiz Phelipe Fernandes.

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2 pensamentos sobre “Paráfrase de Fernandes com Marinho e vice-versa

  1. suellen nara disse:

    “não há literatura, só há vida… não há vida, só há literatura, não há começo, não há fim.”

    e eu estou precisando viver
    sem escrever nada.

    ótimas palavras aqui e ali
    dá gosto ler-te

  2. Luiz Phelipe disse:

    Viver. Seja bom, seja ruim, no mínimo necessário.

    Eu estou esperando a senhorita voltar a escrever e conciliar as suas “vidas”. Pelo que vi seu texto de “despedida” falava sério. Compreendo o momento, mas anseio novas palavras.

    Obrigado pela visita.

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