“De meros vazios se constrói o recheio da existência”

  Já que nascemos sem devido propósito, que não levemos um tempo inútil a procurá-lo. Há mais. Há vida, esperando, esperando…  Seremos heróis sem querer, seremos vilões sem perceber e talvez não haja ninguém para interceder por nós. Não é visão pessimista, tudo tem lá uma forma de ser vantajoso e intercedo pelas enunciadas como fatos. Nas hipóteses mais raras, que não estejamos completamente sós.

  Chorar é preciso, mas lágrima nenhuma será interpretada como desperdício. Pois a dor nos dá uma possibilidade de reflexão única. Prezemos para que as coisas quais nós acreditamos nunca se esvaiam. Mas se mortas, que tenham um significado; se incrédulas, que tenham valido apena o período que pudemos acreditar. 

  Sei do tempo que o medo construído era consequência de outro ato isolado, se consumado, tragédia; se evitado, vitória. Hoje o medo alicerça sociedades e se banalizado, que além da esperança, tenhamos sorte.

  Quando aqueles quais depositamos nossa confiança, vierem a morrer, que não deixemos de crer na vida. Que continuemos, tendo no coração, que o caminho por mais que longo é deveras interessante. A chegada tem um mérito, no qual esses especiais à alma iam bater palmas, se vivos estivessem dispostos a olhar por nós.

  Eu quero que creia no amor, e se não puder, procure outros meios, pois a ausência das emoções tende cordialmente a nos padecer. Que possamos acreditar nos nossos próprios corações. Que os sentimentos, mesmo que repletos de reparos sirvam como chão.

  Que as nossas palavras sejam certas como a força que acreditamos que elas têm. Quando não apreciadas, que tenham o respeito; quando depreciadas, que surtem efeito e que não voltem contra nós. Mas que todos se encarem, mutuamente, como iguais.

  Sejamos particulares à medida que compartilhamos. Sendo, por mais que individuais, dotados de companhia. Veja-se no outro, mas se reconheça ao olhar no espelho.

  Vida. Assim, justa na medida da injustiça. Boa na medida em que entristece… Um suicídio diário de vontades, regado de incertezas. Cada punhalada sangra como uma hemorragia fastidiosa. Cada dia deprimente nos esconde o dono do sorriso ideal.  Mas não temos as respostas, temos poucas escolhas e do pouco que sabemos, é preciso viver e é preciso crer que podemos sempre mais.

* Citação título, Hugo von Hofmannsthal – Livro dos Amigos.

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