Ao novo e sem adeus

  Passada a festa de réveillon e damos partida à ideia de que outro ano se inicia e um antigo se encerrou. De fato, nada se inicia e nada se encerra apenas dá continuidade. Na prática, o único ciclo que é concluído é o do movimento da terra ao redor do Sol e a única coisa que realmente muda são os números. Na verdade, há implícito a ideia de mais um período de trezentos e sessenta e cinco dias com vida, é, no entanto, o que se comemora.  

  Dizem que o tempo está correndo mais rápido e, sem desrespeitar a ideia gradual e constante da contagem do tempo, há uma verdade nisso. Temos a “capacidade” de concluir em um ano o que levávamos uma década.

  Há cerca de cento e setenta anos desconhecíamos as propriedades de uma célula, algum tempo depois falamos em célula-mãe, células procarióticas, eucarióticas, e suas divisões; mitose, meiose… Atualmente já convivemos com a aplicabilidade de células-tronco que, em resumo, podem se dividir originando células extremamente semelhantes às progenitoras, podendo ser usadas em uma infinidade de tratamentos. Em Dezembro de 1967 foi realizado o primeiro transplante de coração – outro caso na biologia. Hoje, nos Estados Unidos, ocorrem cerca de dois mil e quinhentos deles por ano. 

  A enceradeira, por exemplo – falando em “utilidades” mecânicas -, surgiu na década de cinquenta, excelente auxílio de limpeza. Entretanto, no Japão, está em uso um robô que encera o chão de um prédio de vinte e cinco andares e termina tudo em três horas. Ele conta com um sensor que chama o elevador para que possa se locomover pelos andares do edifício e no final da tarefa se desliga sozinho.

  Vivemos um momento onde a capacidade de criar se casa com a necessidade e a oportunidade. Temos os projetos e as ferramentas em mãos para torná-los reais. Adquirimos conhecimento sobre – entre muitos outros – o potencial de recursos naturais junto à capacidade de expansão de novas tecnologias. Evoluímos ao mesmo tempo em que contribuímos para a “artificialização” das coisas e a “aceleração” do tempo. Corremos o pequeno risco de nos perdermos diante das nossas criações e/ou nos subordinarmos à falta de limites das nossas ideias.

  Enquanto nos designamos à tendência de “evoluir”, os ciclos (psicológicos) oriundos da cultura de crendices persistem, sem prévia de interferências. Assim espero! Que venham muitos outros anos e suas respectivas festas de réveillon, para que eu não deixe de cortejar o glamour da roupa branca e da taça de champanhe, acreditando em um ano “novo”, que todos dizem que está por vir.

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