Infância Proibida

  Sou menino, sou moço, sou bobo. Que posso, tão tolo, fazer por mim? Eu notava por entre as janelas um alvoroço passar. Eu seguia desenfreado, caindo em buracos, ciente de que a busca não teria fim e o desfecho estava tão longe de mim quanto eu da minha resposta. Bastavam as perguntas certas. A curiosidade começava no par de pernas que não estavam expostas por minha culpa. Subia os contornos do corpo e perdia na dúvida de um alguém nu. O meu corpo reagia como eu não queria, mal sabia para que servia aquilo que se despertara assim, alicerçado na imagem e em prol da imaginação e da vontade… E que vontade! Do que? Não tenho certeza, mas o desejo era o anseio que não me cabia aos membros e que por para fora era como consolidar um sentimento ruim.

  Um dia, no olho mágico, andando disperso vi o ato se consumar. Nem tudo fazia sentido, mas o que eu queria era o exercício que estavam ali, a praticar. Ciente da minha insignificância me retirei do local. Passei as páginas esperando Nelson me falar, exatamente o que eu precisava ouvir. “A fidelidade devia ser facultativa”, me pareceu sugestivo, se estavam de laços dados poderia, a criatura, optar por caluniar.

  Dito e feito. Não me peça que explique, a carne falou por si, o tato ganhara vida e a cena se enrijeceu. Não foi preciso poupar contato, o ato ficou marcado, foi bem melhor que por trás da fechadura. Voltou para o seu amado, fingira que nunca me viu, fui dito como o coitado menino, o amante dos dias escuros, que luz alguma possa clarear. “Pega lá o teu Rodrigues, ocupe a mente e pare de pensar lorota!” … Nelson mais uma vez mestre, me disse, “amar é ser fiel a quem nos trai”.

Aceitei a condição e descobri no quarto ao lado, outro recanto de travessuras.

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