Fazer política é ter memória curta

Em 1930 o Brasil conheceu o que passou a ser chamado de Populismo, com o “absolutista” Getúlio Vargas. O presidente assumiu com um golpe de Estado que durou até1934, quando assume de vez o poder através de eleições indiretas e concede ao povo a tão reivindicada constituição… Getúlio “cai nos braços” da população, mas como qualquer executivo a frente do Estado, deparou-se com questionamentos.

Historicamente as camadas sociais mais baixas são extorquidas e ultrajadas pelos aristocratas que regem a máquina da república, o que leva (teoricamente) essa classe a ter motivos para reclamar e buscar com que seus direitos sejam preservados e não se deixar levar pelo oportunismo de uma minoria.  Contudo, essa “camada social” que costuma ser despertada pela situação a qual é submetida, pode ser facilmente contida através de medidas articulistas dos que estão governando.

Getúlio deparou-se com os operários insatisfeitos com as condições de trabalho. Com isso, o presidente que já alimentava a elite que o “deixou” no poder – afinal, ele industrializou essa “subpotência” que é o Brasil –, incumbiu-se a realizar uma série de medidas, como a criação de sindicatos, do ministério do trabalho e leis trabalhistas, a fim de conter o proletariado, já que uma euforia por parte dos mesmos não seria saudável à “burguesia” onipotente que ascendia, e nem à imagem do presidente. O problema é que medidas paliativas não surtem efeito em longo prazo (ao menos efeitos positivos, não!), apesar de que negar os benefícios, como por exemplo, do Ministério do Trabalho, é ignorância. Os operários ainda foram bastante ultrajados anos depois, mas Vargas se consagrou como “pai dos pobres”, graças a mais hipócrita e demagoga estratégia política: O populismo! Se para Aristóteles uma democracia viciada era uma demagogia, o populismo é o vício moderno.

Cerca de setenta e cinco anos depois, somos “obrigados” a aceitar Excelentíssimo Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva com o mesmo “direcionamento”. Quero deixar claro aos historiadores de plantão que eu não estou dizendo que Lula é populista, talvez os geógrafos políticos (quais já vi defenderem ponto de vista semelhante) acreditem nisso, mas definitivamente, não foi bem o que eu disse. Contudo, a gramática é mágica e o dicionário no final das contas só serve de base, já que palavras tendem a ganhar as “próprias formas”. Não precisamos desfazer ou reinventar o conceito de populismo, a ideia é conceder à mesma uma nova aplicabilidade.

Lula é o homem de esquerda! – Não se assustem, vamos apelar aos rótulos – Lula, o comunista! …O sindicalista que deu força às greves. Pois bem, é o mesmo homem que enriquece banqueiros desde 2002 quando assumiu o poder, não sou contra essa estratégia, mas no caso em questão, não houve “disciplina monetária” nem muita verdade. Lula realmente deu grandes passos para a economia nacional, já em ascensão antes de sua chegada, deu forças e concedeu os meios para que a nova “classe dominante” (expressão infeliz) ratificasse a sua soberania política. Foi bom para o país? Claro, ninguém nega. E quanto ao proletário, que nem aquele de Vargas que pediu respeito e atenção às autoridades? A sede agora é outra e o povo tem fome!

Lula poderia ter intensificado o crescimento estrutural (o que iria surtir efeitos longínquos e corria o risco de não levar o seu ilustre) das chamadas “comunidades carente”, – apesar de que na verdade carente é o país, por ainda sofrer de uma desigualdade social tão constante e se encarar como primeiro mundo – da mesma forma que Getúlio poderia ter ocasionado uma “reforma” mais significante, na educação, ou nas condições de vida, a fim de causar melhorias mais efetivas aos seus subordinados. Lula poderia ter investido forte na educação e na formação/especialização do cidadão “criando” pessoas íntegras capazes de lutar pela aquisição da capacidade de satisfazer seu “subsídio”, como comprar seu próprio alimento sem aceitar esmola do Estado – sustentam que é um problema imediato, mas a medida adotada não colabora com o imediatismo. Continuando a analogia, Vargas deveria ter propiciado ao siderúrgico, como por exemplo, o direito de frequentar uma instituição de ensino, sem lesar com suas obrigações profissionais e não calar o povo com sindicatos manipuladores e partidários, como até hoje são.

Um novo populista, ou entendemos tudo errado? Não há semelhança ou ainda somos politicamente alienados? Tanto Lula como Getúlio Vargas, ofereceram os cofres do Estado para a aristocracia onipotente (não diferente do FHC com os banqueiros, que persiste no governo atual) e usou de medidas paliativas a fim de coibir uma reação popular conseguindo teoricamente agradar a todos e imortalizando o conceito de “Brasil o país do futuro”. Populistas ou não, o problema é esse modo arcaico de fazer política onde o presidente se consolida e se consagra manipulando a massa. É essa a doutrina que temos que derrubar. Só existirá progresso no dia que deixarmos de nos iludir com a ordem fictícia do “bem-estar social”.

 

Friedrich Nietzsche: “Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.”

 

 

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