Bosquejos de Vincent – parte II

Vide Bosquejos de Vincent parte I.

Nas noites não havia outro caminho, a não ser aquele que atormentava minh’alma e meu sono, esse que há tempos inexiste. Na rua, as portas estavam sempre fechadas, as calçadas estavam nuas e as folhas secas das árvores estavam ali, no chão, com movimentos quase oniscientes ao mesmo tempo tenebrosos. Eu só podia escutar o arranhar da folha no chão. A melodia era fúnebre, como tudo que existia ao redor. O mundo estava de luto, “um luto eterno” – pensei. O vento era vingativo, satisfazendo o meu rancor, há dois dias não cantava.

Ao me debater na incerteza da minha sanidade, sem saber, se aos meus desejos, ceder ou não… Fui pelo sim. Atônito com a visita do possível mensageiro de quatro patas. Postei-me à rua, a fim de encontrar o cão. “Onde encontrar este, que a meu ver é oriundo dos mortos? Onde encontrar o ser, que pode fazer-me ver um propósito?” – me perguntava a cada passo, pouco convicto no êxito da busca, resolvi voltar, já que a rua era um convite sem volta para o inferno, por mais que eu não sabia onde estava a porta, ou os caminhos para chegar até lá. As tentações são evidentes, alguém tenta me persuadir de que cair na desgraça é apanhar a chave do mistério. Sobreviverei enquanto puder, ou enquanto eles quiserem.

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