Sabedoria do não saber; “jeitinho brasileiro” de julgar.

  Nós, os brasileiros – melhor, os espertos! – temos a infeliz mania de inventar burrice alheia. Os portugueses, juntos aos espanhóis difundiram a expansão marítima. Um marco para a economia européia a partir do século XV. Portugal revolucionou o sistema de cartografias, difundiu o uso da bússola e foi  patrono da engenharia marítima com as extraordinárias caravelas. Contudo, segundo a nossa onisciente opinião, são burros. Nossas índias (nativos) foram cedidas às necessidades masculinas de seus marinheiros, nossos índios ao trabalho forçado, nossas “riquezas” a proveito de Portugal e eles é que são burros?

  Brasileiro se julga o onipotente da América do Sul. O Argentino é burro, mas na Argentina, diferentes classes sociais foram às ruas em 2001, revoltadas com a crise econômica e o quadro de corrupção do país. O governo tentou controlar a situação, mas o resultado foi a renúncia do presidente Fernando de La Rúa. A nossa classe média, diz que tirou o Collor de Melo. Claro, claro…

  Boliviano é burro, mas nacionaliza o gás que nós produzimos e nos impõe impostos exorbitantes sobre o mesmo. Equatoriano é burro, mas quem tomou “golpe”, foi o nosso BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Sustentável), já que eles assumiram que não vão pagar a dívida que têm com o mesmo.  Chileno é burro, mas no Chile o investimento em educação é quase o dobro que no Brasil. Por lá, você poderá questionar qualquer pessoa na rua que, ao menos, ela tentará responder a altura… Quais são os verdadeiros burros?  

  Nossa onipotência infundada sobressai a nossa suposta inteligência. Dizem que maturidade vem com o tempo. Ou esperamos ou entramos na dança do carnaval.

  Não são as olimpíadas que vão romper com o preconceito que existe sobre o nosso país, senhor presidente. Mas sim, os nossos conceitos sobre os demais.

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