Acesso a poucos; vontade a todos. Ficamos com a “imagem”

  Já ouviram a expressão popular, “fulano come salame e arrota caviar”? Um tanto quanto esdrúxula, mas é o slogan do brasileiro! Somos, de forma nojenta, os elitistas! A começar pelo governo do país. A nossa política desde a república velha é aristocrática. Só tivemos presidentes da elite, presidentes intelectuais, com exceção ao atual, o senhor Luís Inácio – sem “excelentíssimo”, por favor, para esse aí não, esse aí é do povo, recusa formalidades (sic). Por um lado eu até sou a favor da intelectualidade a comando do país, mas essa é outra discussão.

  Muito me encantam países, como por exemplo, parte da África, que tem sua maior representação cultural oriunda das classes desfavorecidas da sociedade – vamos poupar os eufemismos: Classe pobre! Oficialmente somos um país laico, mas é o catolicismo que predomina desde a nobreza católica que se implantou no país. Vão dizer que uma coisa não leva a outra e que isso foi um critério de imposição colonial e não de escolha. Claro, ninguém discorda, mas não deixa de ser herança “nobre”.

  O brasileiro tinha que ter vergonha de si, já que nega as origens e os próprios gostos para assumir uma imagem que não é sua. Eu me pergunto se é a busca por uma aceitação social – que não vai existir – ou se é apenas a tendência de gostar do que a elite gosta, de escutar o que ela escuta, de se passar por essa falsa sensação de superioridade, para mascarar a própria identidade. Não falo só dos pobres, eu falo da sociedade por um todo. Não costumo escutar funk, aquele “proibidão” produzido nas favelas, mas há quem disse que era música, que trazia alegria e tudo mais. Por que não?

  A rede Globo é a prova do que eu digo, ou melhor, o senhor roteirista e diretor, Manoel Carlos. Suas novelas estão sempre entre as recordistas de ibope. Nelas, todo bairro é o Leblon, todo pobre tem televisão 42 polegadas e mesa de jantar, toda música é MPB, metade dos personagens estão em Paris enquanto a outra parte discute relação na praia de Copacabana. O brasileiro adora isso, nem questiona, assiste aquilo como se fosse uma realidade e pior, toma-a para si.

  Temos a ingenuidade – para não dizer ignorância; vamos tentar não ofender – em acreditar que adquirir conhecimento é coisa pra quem tem condições financeiras. Isso, a sociedade não copia da visão estereotipada que criou do conceito de “elite”; os privilegiados. Eu sei de uma, nos requintes da segunda metade do século XVIII (lembrem-se da Inconfidência Mineira) e século XIX, que estudava e apreciava a leitura. Questionava, discutia a situação do país. Aquela que era a “sociedade pensante” que proliferava ideias e era digno de tornar-se tendência, mas não foi bem assim.  

   Temos a incrível “capacidade” de não entender nada, ou melhor, fazemos questão de não entender e parece que temos orgulho disso. O forte do brasileiro é distorcer as coisas e colocar interpretações à parte no que é fato consumado. Se, para ser “elitizado”, basta assistir filme em preto e branco, escutar bossa nova e falar mal do “créu”, vou à busca do proletariado! Contudo, se o pensamento é massificado e a ideia ainda é essa, vamos elitizar o país por um todo! Mas para isso vamos fazer uma reforma nessa tal elite acomodada dos antigos “caras-pintadas” que hoje assumiram o trono, sem nenhum remorso, dos “caras-de-pau”.

   Dessa vez eu não vou citar filosofia alemã, nem a literatura consagrada do Brasil, vou de Joãsinho Trinta, um grande carnavalesco! Carnaval não é a alegria da massa?

Joãsinho é conhecido por enredos campeões e dono de uma frase clássica que, por sinal, cabe bem ao contexto:

 “O Povo gosta de luxo; quem gosta de miséria é intelectual”.

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