A Doutrina das Teorias

O Correio Brasilense trouxe à tona, uma afirmação do Senador Cristovam Buarque (PDT – DF), cogitando a possibilidade da realização de um plebiscito, tendo como questão o fechamento do congresso – particularmente, faria questão de participar, votando no “sim”, mas sabemos que isso é uma grande utopia.  O Senador já apresentou cerca de cinco projetos que se tornaram leis. É de fato, um político de credibilidade no quesito função executiva, sendo que defende, de um modo geral, bons argumentos voltados à iniciativa de “reformas” no que rege o poder público.

Essa iniciativa remete a situação paradoxal de uma sociedade sem poder político diante de uma democracia questionável.

O termo democracia se originou na Grécia com ideal que, aplicada corretamente, seria símbolo de uma doutrina “sensata”. Porém, foi praticado de forma limitada, onde mulheres, estrangeiros, escravos e crianças não participavam das decisões das cidades. Hoje, séculos depois, com o advento do desenvolvimento das ferramentas de administração, tão como do “amadurecimento político”, ainda somos postos à prova, quando analisada a integridade do nosso sistema democrático. Digno de vergonha.

A escritora Rachel Queiroz em uma de suas crônicas, que traz como título o sistema em questão, diz que existe um conceito errôneo, oriundo da demagogia, definindo que só é povo quem “emana das classes mais desfavorecidas da população” – em se tratando da tese “governo do povo pelo povo”. Contudo, o poder aristocrático foi, por muito tempo e de forma nítida, a representação política do país. Atualmente esse “governo dos melhores” ainda existe em abundância, por parte dos banqueiros, empresários e outros, que desfrutam de privilégios e mecanismos de manipulação política, criando um elo, por meio de propinas, subornos, chantagens… Entre os “homens do governo” e os “neo-aristocráticos”, remetendo a maior das inquietações: Quem de fato tem a voz ativa, nesse regime? As articualações políticas são mas mesmas, só mudaram alguns nomes. Deram rótulos novos à impunidade.

A democracia, acima de tudo, concede ao “povo” – termo que deveria ser interpretado de forma homogênea – o poder de tomar (indiretamente) grandes decisões. É uma incoerência irredutível, tornar a população inerte diante das decisões parlamentares, – por mais que, em tese, o escolhido pelo povo, toma decisões por ele – sendo que a insatisfação popular passa despercebida. Tendo esses, tão como o que foi proposto por Cristovam, a aptidão para decidir, inclusive sobre a “necessidade” da existência ou não de um Congresso. A ideia não é infundada, esse pensamento só existiu devido tamanho descaso do Estado (como instituição) diante das necessidades e “queixas” de seus contribuintes, se é que podemos chamar assim.

Se a sociedade delega poderes a alguém, esse deveria ser o seu subordinado, não o contrário. Não vivemos em prol de um Estado soberbo em onipotência – pelo menos não era para ser. Isso seria ditadura fantasiada de “bem-estar social”.

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