Tráfico de ideias

  Existem pessoas realmente diferenciadas. Nem precisamos ir longe citando Einstein ou Nietzsche, as pessoas diferenciadas são as que possuem capacidades que superam expectativas. Na ocasião: Capacidade didática. Contudo, o texto não é para falar do meu professor de gramática, que é dono de uma genialidade peculiar, mas sim da epifania que ele me permitiu despertar, explicando o significado e o significante da palavra escrita. Um representa, o outro relaciona e daí por diante. Epifanias merecem ser questionadas, discutidas e postas ao papel.

 

  Qual foi a última vez que você comprou um sanduíche? – Um sanduíche do Mcdonalds. Um sanduíche de verdade, com hambúrguer, algum molho e outros ingredientes? Faço essa pergunta, por um único motivo: Esse sanduíche não existe mais. Não se compra um carro de luxo ou um convencional. Não se compra um livro de filosofia ou uma revista masculina. “Compra” é uma palavra que perdeu valor, mas que não foge ao significado original, o de adquirir alguma coisa. A “coisa” a qual se adquire é que foi distorcida e comprar deixou de ser um ato, é uma aquisição de conceito. 

  “Você não compra um produto e sim a ideia associada ao produto em questão”, e quem discorda? O Mcdonalds não vende um sanduíche, vende uma imagem, pois lá é um estabelecimento de entretenimento, por mais que esse seja um ato de se alimentar.  Você não compra um carro de luxo, mas sim a ideia de que aquele carro é o espelho do seu padrão de vida e é conceito de luxo e conforto. Não fazemos compras no Pão de Açúcar, mas sim no “lugar de gente feliz”.  As coisas não precisam “atuar” por si só, podem ter significados implícitos e a publicidade descobriu isso há muito tempo.

  O preço dos produtos, a disponibilidade do produto no mercado, assim como a credibilidade e o quanto é consumido. São todos requisitos variáveis conforme a ideia que acompanha o que está em venda.  

  Vão dizer que é consequência do mundo moderno e que tudo faz parte do sistema, mas não! Isso é uma alienação consciente, a tal inversão de valores, que no momento prefiro usar “inversão de conceitos”, nos deixa cegos, surdos, mudos e deveras tolos. Quanto mais conheço os capitalistas, mais gosto dos eremitas e seus semelhantes.

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: