Arquivo diário: agosto 7, 2009

Tráfico de ideias

  Existem pessoas realmente diferenciadas. Nem precisamos ir longe citando Einstein ou Nietzsche, as pessoas diferenciadas são as que possuem capacidades que superam expectativas. Na ocasião: Capacidade didática. Contudo, o texto não é para falar do meu professor de gramática, que é dono de uma genialidade peculiar, mas sim da epifania que ele me permitiu despertar, explicando o significado e o significante da palavra escrita. Um representa, o outro relaciona e daí por diante. Epifanias merecem ser questionadas, discutidas e postas ao papel.

 

  Qual foi a última vez que você comprou um sanduíche? – Um sanduíche do Mcdonalds. Um sanduíche de verdade, com hambúrguer, algum molho e outros ingredientes? Faço essa pergunta, por um único motivo: Esse sanduíche não existe mais. Não se compra um carro de luxo ou um convencional. Não se compra um livro de filosofia ou uma revista masculina. “Compra” é uma palavra que perdeu valor, mas que não foge ao significado original, o de adquirir alguma coisa. A “coisa” a qual se adquire é que foi distorcida e comprar deixou de ser um ato, é uma aquisição de conceito. 

  “Você não compra um produto e sim a ideia associada ao produto em questão”, e quem discorda? O Mcdonalds não vende um sanduíche, vende uma imagem, pois lá é um estabelecimento de entretenimento, por mais que esse seja um ato de se alimentar.  Você não compra um carro de luxo, mas sim a ideia de que aquele carro é o espelho do seu padrão de vida e é conceito de luxo e conforto. Não fazemos compras no Pão de Açúcar, mas sim no “lugar de gente feliz”.  As coisas não precisam “atuar” por si só, podem ter significados implícitos e a publicidade descobriu isso há muito tempo.

  O preço dos produtos, a disponibilidade do produto no mercado, assim como a credibilidade e o quanto é consumido. São todos requisitos variáveis conforme a ideia que acompanha o que está em venda.  

  Vão dizer que é consequência do mundo moderno e que tudo faz parte do sistema, mas não! Isso é uma alienação consciente, a tal inversão de valores, que no momento prefiro usar “inversão de conceitos”, nos deixa cegos, surdos, mudos e deveras tolos. Quanto mais conheço os capitalistas, mais gosto dos eremitas e seus semelhantes.

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