Desafio a evolução ao me tornar eterno

  Hoje eu assistia ao clipe “We are the world” que reuniu grandes nomes da música internacional. Em um momento da música entra ele, tão célebre como nunca: Michael Joseph Jackson. Uma pausa. Um silêncio. Melancolia; Michael Jackson morreu. Demorei me dar conta disso. Não sejamos tolos, não aconteceu nada dia 25 de junho de 2009. Michael morreu em meados de 1986 e isso é ainda mais triste. Aquele que teve um velório digno de astro há alguns dias, era um personagem.

   Enquanto assistíamos aos clipes, um amigo disse, “isso vai acabar, cara… Essas músicas não vão mais existir” – nesse momento escutávamos Tracy Chapman com “Baby can I hold you” –, eu o interrompi com, “Vai acabar? Já acabou! Nós estamos assistindo um DVD que se chama flahsback e foi comprado na feira, único lugar onde podemos encontrá-lo com facilidade”. Ficamos um tanto quanto demasiados. A realidade quando passa diante dos olhos, deixa um belo tapa, e arde de forma que metáfora alguma explica.

  A conversa foi boa, mos o conteúdo restante é irrelevante, exceto quando citamos uma reportagem do Jornal da Globo – costumo assisti-lo enquanto espero o gordo entrar cena. A reportagem consistia em uma impressora que imprime em 3D (três dimensões). Ela cria uma réplica perfeita de qualquer objeto que seja projetado no computador. Ela possui dois cartuchos, um com um fio de plástico que molda e o outro com um fio de suporte. A impressora une suporte e molde em camadas mais finas que um fio de cabelo e pronto, constrói o objeto, até mesmo com partes móveis (que já saem montadas) em um plástico resistente. Entusiasmado, encabulado, curioso? Não, eu fiquei com medo.

   O site trás como título da manchete “A Revolução no mercado de impressoras”, façamos valer a ignorância de quem gosta do que é “original”. Eu não sou um “anti-progresso”, um atrasado, obsoleto, ou coisa assim. Sou a favor da vida – por mais que eu viva falando da morte. Sou a favor da sociedade para todos. Claro, é aquela que nunca vai existir, mas nem por isso precisa tornar-se cada vez mais injusta. Francamente, revolução, para mim, é a Francesa, que impulsionou muitos movimentos de liberdade, tão como o abolicionista e revelou ao mundo homens como Robespierre (um tirando ou não. Um político que falta no Brasil – risos). Revolução para mim é a Farroupilha que desafiou as autoridades imperiais. Ou até mesmo, a célebre Revolução dos Bichos, escrita por George Orwel satirizando a Revolução Russa. Impressora que “imprime” qualquer objeto que a mente humana permita inventar, não é revolução. A tal impressora produziu peças para construir uma máquina igual a ela. Falando assim, parece que tomou essa decisão sozinha. Eu não duvido.

   Meu medo é desnecessário sendo que o temido já acontece. A tecnologia insiste em criar, insiste em ganhar mercado e nós somos obrigados a “consumi-la”, para não sermos excluídos do “processo social”. O terror está aí. Não há problema em inovações que auxiliam o homem, o problema é o homem tornar-se escravo de tais inovações. E infelizmente é o que acontece. Eu penso nos milhões de desempregados quando a impressora revolucionária virar moda. Mas quem importa? Ela vai diminuir custos, contribuir para a economia. Que assim seja. Depois do livro digital (já em uso) deve vir o escritor digital, o leitor digital e um blog só para as máquinas. Entretenimento para elas.

  Eu vou cruzar os braços e esperar acontecer, já que minha indignação é insignificante diante da arrogância do capitalismo. Vou esconder minhas folhas de papel e meu lápis de madeira enquanto posso. Terminamos a tarde nostálgica, ao som de Dire StraitsSo far Away, a última música do DVD e a genialidade de um rock imortal.

 

Ranunes e A Valsinha da Evolução:

 

“A infância corrompida

A adolescência libertária

A adulta adúltera adulterada!”.

 

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