Os Amantes

E tudo começa com um toque de mãos… Mas sabemos bem como é, nunca para por aí. A mão encontrou os detalhes do braço e seguiu o percurso sem rumo. O seu corpo era um caminho tentador e suas curvas uma viagem sem coordenadas. Apalpou suas penas. As mãos sobem, a temperatura ascende, a respiração é ofegante e ela solta murmúrios que, pela forma desconcertada, não se permitem serem gemidos e altos demais para serem suspiros. Emitem ruídos. Um som abafado, por sinal – um grito que ninguém pode ouvir (fatalmente traduzido como apelo). Enquanto ambos os braços passeiam, eles elaboram cenas, fetiches… Visualizam as em mente até que cada um deles acredite. Isso é a carne que grita, é o coração que pede é a pele que responde sem optar pelo “não”. O corpo é inconsequente e deveras irritante, busca o hedonismo mútuo sem obrigação nenhuma com o pudor. É a carne, eu digo, é a carne! Pulsando o sangue, guiando os músculos, libertando a mente… É a carne! Na medida em que se dá continuidade ao ato, eles se sentem ainda mais sufocados, ambas as bocas se pressentem e se procuram, mas não se encontram. Tocam-se, mas há algo entre eles, há algo entre os rostos, há cordas nos pescoços há duas vidas há tempos vistas entre “nós”. Não se enxergam não se beijam e não concluem os desejos. talvez seja uma vedação pré-estabelecida pelo compromisso de um matrimônio, talvez seja a mente imaculada de um adúltero no auge do ressentimento. Talvez sejam lacres pré-estabelecidos, tampando-lhes os rostos, inibindo a capacidade de sanarem a cede e reduzindo-lhes a capacidade de enxergar além. Uma porta se abre aos fundos, se separam tão rápido quanto se abraçam e, ainda atordoados, cada um segue seu rumo, sem rumo, esperando que o amor explique o que há de pior. Aguardando que o desejo e o sentimento lhes desatem os nós.

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