Um bar e um desabafo às avessas

 Dizem que no final da tudo certo. Mas eu não sei quando vai ser… E a te lá? Eu não tenho escolha? Espero, sem ter certeza desse destino, condenado ao labirinto da emoção? Meus anseios são tão simples que chego a acreditar que é injustiça não tê-los às minhas mãos.

Eu queria alguém para eu poder ligar durante a noite e dizer “liguei pra dizer boa noite” e na sexta-feira, quem sabe, um “te vejo amanhã?” ou “te busco às oito horas”. Eu queria alguém para sair de mãos dadas no sábado à noite. Sair sem rumo, sem planos… Entende? Nem que seja para sentar numa praça qualquer ouvindo uma música que só existe aos nossos ouvidos. Olhar a lua, tomar um vinho… Não esperar nada dos outros, da rua, da vida. Eu queria coisas simples, pois são essas as que marcam. São as que rompem barreiras que o coração insiste em criar. Coisas que o tempo não “cura” e que a saudade não esquece. Coisas simples, eu digo.

Eu queria alguém para ouvir a música que compus, ao som do violão que já não toca. Talvez até eu mesmo tenha deixado de ouvi-lo, pois a melodia em si torna-se morta quando para o criador já não faz sentido. Eu queria companhia, repito, eu queria uma companhia em carne e osso, do resto eu me encarrego.

Eu queria alguém para sorrir comigo do nada, sorrir do que não tem graça. Sem cobrar respostas ou buscar um sentido. Eu queria alguém para compartilhar comigo do que não pode ser entendido, do que para os outros é até tolo e que para nós é uma piada bem contada, que provém do coração.

Chamarão de carência, chamarão de amor, chamarão de depressão oriunda de um domingo nublado. Eu, de nada chamo, a essa altura a nada clamo. Na verdade passo tanto tempo desejando-a, que não o desperdiço tentando nomeá-la, eu já disse, é tudo tão simples que descrever com tanta perfeição e explicação é desnecessário, já que não é só assim que poderei “criá-la”. Complicado, não? Deve achar que sou sozinho, mas não…  Eu sempre tenho alguém, mas nunca tenho companhia. Eu sempre tenho os beijos, mas nunca o afeto que devia recheá-lo, o que só deixa-me mais vazio. Eu sempre tenho abraços, mas nunca aquele sincero e espontâneo de quem não tem pretensões com o ato e traz ao redor dos lábios o verdadeiro sorriso. De tanto oferecer, acho que me falta ser retribuído. Como disse, é injusto, não?  O que eu tanto quero? …Eu só quero esse alguém, seja lá quem for.

Artur despede-se do cara que está atrás do balcão, que ele nem mesmo sabe o nome. Contudo é a única pessoa com quem ele tem um contato diário, por mais que nunca tenham trocado uma palavra. Ali é onde ele alimenta a única coisa que nunca vai deixá-lo: O vício.

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