Rasuras – 02/02/09 [15:30h]

Cadeira de plástico. Almofada de algodão nas costas. Uma papel em mãos, apoiado em um livro que por sua vez apóia-se na minha perna. Sim, é uma descrição ridícula, mas é real. Pra falar a verdade, dei início a essa escrita sem saber se teria um fim, escrevi apenas a alimentar o meu hábito.
Conforme o enredo progride, prevê-se que o texto e todo seu conjunto se resumirão em “ridículo”. Eis a sina de quem escreve; o fazer sem nenhum intuito, não falar de nada, não ter propósito aparente, apenas permitir que a esfera na ponta da caneta faça lá suas acrobacias: pingos nos is, dois-pontos, travessão, cedilha, exclamação… Fico feliz em saber que é a mais estúpida, tão porém, a mais sublime das minhas narrativas. Não só de obra-prima vive um artista. Sabia que teria um início e repito, não esperava por um fim. Esse que a partir de agora eis de ser traçado.
Posso posta-lo no meu blog, a internet já não está sendo útil para muita coisa, ao menos que ela arquive as minhas rasuras. Pouco divulgo o que eu faço, como disse anteriormente a internet serve apenas para arquivá-los. Nunca me importei muito com a platéia.
Ah, mas essa é apenas uma das opções. Posso embrulhar o papel na mão e encaminha-lo ao lixo. Caindo no esquecimento, enterrando palavras que nunca deveriam ter nascido. Posso jogá-lo em umas das minhas pastas, – destas que eu não vou abrir por tão cedo – fazendo desses pensamentos insanos rabiscos em vão.
Enfim, eu paro por aqui. Se eu for acompanhar o ritmo da chuva que cai lá fora, vou me perder em meio às palavras. Vou por mim, mais uma vez parafraseando. Se alguém estiver a acompanhar isso, eu coloquei no tal blog, sabendo que alguém poderia ler ou não… Alguém pode gostar ou não. E a dúvida de que se isso fez ou não algum sentido, já me é suficiente.

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