O Mafioso – personagens;part-1.

 

“Eu sou o que não faz questão de sentir. O que poupa as emoções e tem a razão acima de tudo. O que é um paradoxo, pois a razão que “utilizo” é a do dedo no gatilho, que por vez só funciona com emoção, adrenalina e um peito pulsante… Eu não tenho amigos, não tenho namorada e não me olhe com piedade nos olhos, pois eu não me importo. Nós temos escolhas, irmão e digo, escolhi viver assim! É minha opção é meu direito”.

Claro, eu me apego em algumas coisas. Apego-me a meu calibre 42. Se eu te disser que não sei o que é amor e nem mesmo desperdiço o meu tempo, que por vez é pouco, esboçando as palavras  a fim de definir essa asneira, você seria capaz de rir! Aliás, nem isso, pois seria um confronto à minha pessoa e sei que me teme. Sei que todos me temem e é isso que eu busco.
Já disseram que eu amo a minha profissão, mas não! É o meu ar, entende? Preciso dela para sobreviver, preciso de algumas coisas para viver, apenas isso. Mas se pudesse abrir mão, talvez o fizesse. Se pudesse matar a sede e a fome com um tiro na cabeça hoje seria um homem mais completo, mais distante dos outros meros mortais, mas essa semelhança infelizmente me aproxima dos menos favorecidos. Que seja!
Não me toque e não me faça pedir por favor, não preciso disso, aprecio os bons modos e o respeito. Sou justo até com os que mato, mas nestas condições os meus bons modos não entram em cena, sabe disso. Agora se afaste. Nem preciso dizer que é para seu próprio bem.
Porque não entra no carro e soma daqui? A dor é fundamental, nos faz mais forte, apesar de que eu nem sei mais do que se trata, talvez porque a força tenha alcançado seus limites e a dor seja enfim impenetrável.
Você está insistindo, terei de usar o meu “prazer”. Sabe que eu não quero, mato quem precisa morrer. Não quero que com o senhor chegue a esse ponto, mas essa decisão não cabe a mim. Sabes também que eu o admiro e que isso pode frear a minha ganância em fazer o disparo final, mas os “freios” não são tão fortes quanto as minhas vontades e o meu prazer de não me prender a pessoas que insistem em querer fazer de mim algo sentimental.
Eu sou um monstro,  sim, não pense que isso vai fazer de mim pior ou melhor, tenho consciência dos meus atos. Enxergo-os do outra forma. Faço o que precisa ser feito e outro não tem a capacidade.
Desta vez, sinceramente, sinto muito pai;  precisa ser feito, e logo. 

Caminhou em direção à limusine, enquanto sangue do homem escorria pelo chão.

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